Secretário dos EUA já apertou a mão de Saddam

Nomeado em 1983 enviado especial ao Oriente Médio pelo presidente Ronald Reagan, o atual secretário da Defesa americano, Donald Rumsfeld, esteve em Bagdá numa missão até hoje muito controvertida. A imprensa dos Estados Unidos fala muito pouco dessa viagem, que na época ganhou uma cobertura do Washington Post. Rumsfeld chegou a ser fotografado durante o efusivo aperto de mão com o ditador Saddam Hussein, num de seus palácios presidenciais, atualmente sob bombas americanas. Nesse época, na década de 80, o Iraque estava em guerra contra o Irã havia três anos e a política americana era ditada pelo medo da extensão da revolução iraniana do aiatolá Khomeini. Nem mesmo as advertências de um analista do Pentágono, Paul Wolffowitz, sobre o perigo representado pelo regime de Saddam no Iraque chegaram a sensibilizar o governo dos EUA. Paradoxalmente, dois anos antes, a ação israelense que destruiu o reator nuclear experimental Osirak, adquirido pelo Iraque junto à França (então governada por Jacques Chirac), foi rapidamente condenada por Washington. A visita de Rumsfeld, ocorrida nos dias 19 e 20 de dezembro de 1983, resultou no restabelecimento, um ano depois, das relações diplomáticas entre Washington e Bagdá, rompidas desde a guerra de 1967, entre árabes e israelenses. Depois desse encontro, Rumsfeld voltou a Bagdá no ano seguinte para outra reunião, agora com o vice-primeiro-ministro e ministro do Exterior, Tareq Aziz. O "grande Satã" não era Saddam, mas Khomeini. Muito pouco tempo depois, Saddam esmagou a rebelião dos curdos, sacrificando parte de sua população civil, constituída por velhos, mulheres e crianças, utilizando armas químicas, cujos componentes, segundo as suspeitas, eram de origem americana. Em setembro de 2002, interrogado pela CNN, Rumsfeld confirmou que esses encontros aconteceram, mas afirmou que sua missão junto a Saddam e Aziz foi justamente a de adverti-los a não utilizar armas químicas. Apesar disso, permanece a suspeita de que os EUA tenham autorizado o governo do Iraque a procurar produtos, tais como fontes de bacilos de antraz, necessários para a produção de armas dessa natureza em seu território. Richard Perle, presidente do "Defense Policy Board", explica que "essa cooperação americana se limitou à área de informações".Veja o especial :

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