EFE/ Martín Alipaz
EFE/ Martín Alipaz

Secretário-geral da OEA defende direito de Evo de disputar reeleição

Presidente da Bolívia está no poder desde 2006; em 2017, tribunal reconheceu o direito a uma reeleição em virtude de um artigo da Convenção Americana sobre Direitos Humanos

Redação, O Estado de S.Paulo

17 de maio de 2019 | 21h54

LA PAZ - O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Luis Almagro, manifestou nesta sexta-feira, 17, apoio à aspiração do presidente da Bolívia, Evo Morales, de tentar uma nova reeleição. Evo está no poder desde 2006. Em 2017, o Tribunal Constitucional reconheceu o direito a uma reeleição em virtude de um artigo da Convenção Americana sobre Direitos Humanos.

“Será absolutamente uma discriminação se Evo Morales não puder se apresentar para as eleições de outubro na Bolívia”, disse Almagro, despertando a ira da oposição, que considerou a fala uma traição. 

Almagro foi recebido na sede do governo boliviano para assinar um acordo de facilitação do trabalho dos observadores da OEA nas eleições de 20 de outubro. Após assinar o acordo, ele fez um discurso no qual defendeu que Evo tem o mesmo direito que outros presidentes latino-americanos tiveram ao decidir disputar a reeleição, com base em uma decisão judicial. 

O mesmo argumento que permitiu a mudança constitucional para que líderes disputassem a reeleição foi usado por Óscar Arias, na Costa Rica, Daniel Ortega, na Nicarágua, e por Juan Orlando Hernández, em Honduras. A medida desperta dúvidas jurídicas e críticas políticas de que essa interpretação sobre a reeleição seja uma desculpa para líderes se perpetuarem no poder. 

“Bem-vindo irmão”, disse Evo a Almagro, ao agradecer o apoio de uma pessoa com quem, há algum tempo, manteve sérias discrepâncias em razão da posição sobre Cuba e Venezuela, aliados da Bolívia. Almagro é uma das vozes mais duras contra o chavismo.

Após deixar a sede do governo boliviano, Almagro foi recebido com hostilidade no hotel em que se reuniria com a oposição. Alguns opositores deixaram a reunião, pois esperavam que o secretário-geral da OEA os apoiasse em sua demanda contra Evo na Comissão Interamericana dos Direitos Humanos. / EFE 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.