Secretário-geral da ONU adverte Sudão sobre direitos humanos

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon,desembarcou na segunda-feira no Sudão fazendo um alerta sobreos direitos humanos. O objetivo da visita é lançar as basespara negociações sobre o conflito de Darfur e o envio demilhares de tropas de paz para lá. Assessores disseram que Ban deveria pressionar o presidentedo Sudão, Omar Hassan al-Bashir, a aceitar seus planos. Alémdisso, o sul-coreano visitará um campo de refugiados na própriaregião de Darfur, no oeste do país. O sul-coreano jantou com opresidente na noite de segunda-feira (à tarde no Brasil). Embora o foco seja Darfur, a visita de seis dias incluirátambém uma viagem ao sul do Sudão, onde tentará reforçar umacordo de paz que em 2005 encerrou duas décadas de guerra entreo norte e o sul, que matou 2 milhões de pessoas. Ban também iráaos vizinhos Chade e Líbia. Especialistas internacionais estimam que cerca de 200 milpessoas tenham morrido e 2,5 milhões tenham sido expulsas desuas casas em quatro anos e meio de guerra em Darfur, iniciadadepois que grupos rebeldes nativos pegaram em armas contra ogoverno, que por sua vez armou milícias árabes. Cartum diz quea guerra fez apenas 9.000 mortos. Horas depois de chegar, Ban disse a uma platéia desudaneses que o mundo está deixando de ser uma "testemunhaaparentemente passiva" do conflito e começando a prestaratenção à situação dos direitos humanos no país. "Temos apenas de olhar ao nosso redor para ver como o Sudãoprecisa ir longe na preservação dos direitos humanos e emproteger as pessoas do sofrimento", disse ele à Associação dasNações Unidas no Sudão. "A Justiça é uma parte importante da construção esustentação da paz. Uma cultura de impunidade e um legado decrimes passados que fique sem ser tratada só irão erodir apaz." Na semana passada, Ban delineou uma abordagem de trêspontos contra a crise: o envio de 26 mil soldados e policiaisda ONU e da União Africana, aprovado em julho pelo Conselho deSegurança; negociações de paz previstas inicialmente paraoutubro; e envio de ajuda. Em entrevista na segunda-feira ao jornal italiano LaRepubblica, Ban disse que os países ocidentais, inclusive aItália, precisam fornecer militares especializados para amissão. "Precisamos de patrimônio técnico e logístico, capacidadede transporte aéreo, e para isso estamos torcendo pelacontribuição dos países europeus", declarou. Um assessor que acompanha Ban na viagem disse que "épreciso haver vontade política dentro do governo do Sudão paramexer nas negociações, e achamos que existe tal vontadepolítica." A violência vem voltando a se intensificar em Darfur, o queBan disse ser "simplesmente inaceitável". (Reportagem adicional de Ian Simpson em Milão)

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.