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Secretário-geral da ONU alerta para risco de vazamento radioativo no Pacífico

António Guterres diz que estrutura construída na Ilha de Runit é ‘caixão’ herdado da Guerra Fria, e ressalta que habitantes da região precisam de ajuda para lidar com consequências dos testes nucleares

Redação, O Estado de S.Paulo

16 de maio de 2019 | 11h49

SUVA, FIJI - O secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou nesta quinta-feira, 16, para o risco de vazamento radioativo em um depósito de resíduos de testes nucleares dos Estados Unidos no arquipélago das Ilhas Marshall, no Pacífico.

Em um discurso para estudantes de Fiji, Guterres disse que a estrutura - uma cratera coberta por uma camada de concreto - construída na Ilha de Runit, pertencente ao atol de Enewetak, é  um "caixão" herdado da Guerra Fria. "O Pacífico foi uma vítima no passado, todos nós sabemos", afirmou Guterres.

Entre 1946 e 1996, EUA, França e Reino Unido realizaram centenas de testes nucleares em ilhas do Oceano Pacífico. No Pacífico central, os americanos realizaram mais de 100 testes, dos quais 67 ocorreram entre 1946 e 1958, nos atóis de Bikini e Enewetak, nas Ilhas Marshall, a meio caminho entre a Austrália e o Estado do Havaí.

Entre eles está o da bomba de hidrogênio "Bravo", em 1954, a mais poderosa bomba H detonada pelos EUA, cuja potência é mil vezes superior à de Hiroshima.

Guterres, que está em viagem pelo Pacífico, afirmou que os habitantes da região precisam de ajuda para lidar com as consequências dos testes nucleares.

"Estas consequências foram dramáticas em termos de saúde e envenenamento da água em alguns lugares", disse ele, que se encontrou com a presidente das Ilhas Marshall, Hilda Heine. "Estive com a presidente das Ilhas Marshall, que está muito preocupada com o risco de vazamento de material radioativo na área."

Trata-se da cratera da explosão da bomba nuclear Cactus na Ilha de Runit em maio de 1958, onde anos depois foram enterrados os resíduos contaminados de testes nucleares.

Em 1979, a cratera foi coberta por uma camada de concreto de 45 centímetros de espessura, mas por razões de custos o fundo não foi isolado, aumentando o medo a lixiviação de materiais radioativos.

Essa estrutura deveria ser transitória, mas se tornou permanente e, quatro décadas depois, rachaduras foram detectadas no cemitério nuclear. Além disso, a estrutura está ameaçada pela elevação do nível do mar causada pelo aquecimento global. / AFP

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