Secretário-geral da ONU diz que Israel violou cessar-fogo

Nota emitida pelo gabinete do secretário-geral das Nações Unidas, Kofi Annan, manifesta "profunda preocupação" com a violação do cessar-fogo, iniciado há seis dias, no sul do Líbano. A nota afirma que a violação foi cometida "pelo lado israelense" do conflito.Comandos israelenses realizaram uma incursão no sul do Líbano para, segundo autoridades de Israel, impedir que um carregamento de armas vindo da Síria chegasse aos guerrilheiros do Hezbollah.Em resposta ao ataque, o governo libanês ameaçou interromper o envio de tropas para o sul do país. O primeiro-ministro Fuad Saniora acusou Israel de "flagrante violação da cessação de hostilidades anunciada pelo Conselho de Segurança" das Nações Unidas.A Casa Branca evitou criticar a ação israelense, notando que Israel agiu em reação ao contrabando de armas, e que a resolução da ONU pede que se evite que armas cheguem às mãos do Hezbollah. Em linhas gerais, o cessar-fogo determina que o Hezbollah interrompa todas suas atividades militares, e que Israel se abstenha de realizar operações ofensivas.A nota da ONU é a seguinte:O secretário-geral está profundamente preocupado com a violação, pelo lado israelense, da cessação de hostilidades tal como definida pela Resolução 1701 do Conselho de Segurança. O incidente envolveu uma incursão israelense no leste do Líbano, neste sábado.De acordo com a Unifil (missão na ONU no Líbano) houve várias violações de espaço aéreo por aeronaves militares israelenses.Tais violações da Resolução 1701 do Conselho de Segurança põem em risco a calma frágil que foi obtida após muita negociação, e solapa a autoridade do governo do Líbano. O secretário-geral pede ainda que todas as partes respeitem estritamente o embargo de armas, exerçam o máximo de contenção, evitem ações de provocação e exibem responsabilidade em implementar a resolução 1701. O secretário-geral falou hoje com os primeiros-ministros de Israel e do Líbano sobre o assunto. Ele instruiu que relatório diários da obediência à cessação de hostilidades pelas partes sejam enviados ao Conselho de Segurança.

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