EFE/Said Yusuf Warsame
EFE/Said Yusuf Warsame

Secretário-geral da ONU exige medidas imediatas para evitar nova crise de fome na Somália

António Guterres afirmou que são necessários US$ 825 milhões para atenuar as consequências da seca registrada nos últimos meses, que fez aumentar o preço da água e obrigou as comunidades a recorrerem a fontes perigosas do produto

O Estado de S.Paulo

08 de março de 2017 | 15h06

MOGADÍSCIO - O secretário-geral da ONU, António Guterres, fez na terça-feira 7 uma visita "de emergência" à Somália. Ele exigiu medidas imediatas para evitar que a grave seca que afeta o país resulte uma nova crise de fome como a ocorrida em 2011, quando 250 mil pessoas morreram.

"O mundo precisa agir agora para evitar uma crise humanitária", alertou Guterres durante uma viagem ao país para abordar a crise pela qual 6,2 milhões de somalis - mais da metade da população - necessitam ajuda.

Após chegar à capital, Mogadíscio, Guterres teve um breve encontro com o novo presidente Mohamed Abdullahi Farmaajo, que expressou a necessidade de ajuda da comunidade internacional para que seja evitada uma crise de fome "iminente".

"Este é um momento de tragédia, mas também é um momento de esperança com um novo governo somali que está preparado para agir", disse Guterres. Ele detalhou ainda que são necessários US$ 825 milhões para atenuar as consequências da seca registrada nos últimos meses.

A escassez aumentou o preço da água e as comunidades se viram obrigadas a recorrer a fontes perigosas que aumentaram o risco de contrair doenças como cólera e diarreia. Neste ano, pelo menos 196 pessoas morreram em razão dessas doenças, especialmente no sul do país, enquanto mais de 7,9 mil pessoas foram afetadas pelo novo surto de cólera, segundo a ONU.

Guterres também foi a Baidoa, capital da região de Bay, uma das mais prejudicadas pela seca e onde, na semana passada, morreram 110 pessoas em apenas 48 horas em razão da escassez de água e de doenças agudas.

O diplomata português se reuniu com autoridades locais e visitou um campo de deslocados internos para conhecer de perto a situação dos somalis que tiveram de deixar suas casas.

Autoridades alertaram que a situação piora a cada dia na região, onde o maior desafio é a restrição do acesso de ajuda humanitária em razão da presença do grupo jihadista Al-Shabab, que controla amplas zonas do sul e do centro do país.

O chefe humanitário das Nações Unidas, Stephen O'Brien, aproveitou a visita para se reunir com as agências humanitárias mobilizadas no país para traçar um plano de resposta urgente. Além disso, ele pediu às autoridades que intensifiquem os esforços para facilitar um maior acesso humanitário às regiões afetadas.

Segundo a ONU, cerca de três milhões de somalis estarão em situação de emergência alimentar em junho de 2017 e 950 mil crianças menores de cinco anos sofrerão desnutrição aguda ainda neste ano, das quais 185 mil morrerão se não receberem tratamento médico imediato.

Veja abaixo: Seca deixa ao menos 110 mortos em 48 horas na Somália

Por isso, organismos internacionais temem que a grave situação resulte em uma nova crise de fome como ocorreu em 2011, quando aproximadamente 250 mil pessoas morreram, mais da metade delas menores de cinco anos.

Os países da região também alertaram que uma nova crise de fome pode piorar a situação da Somália, onde a ameaça jihadista e os confrontos entre etnias pelos recursos causam vários conflitos.

A Somália, que concluiu em fevereiro seu processo eleitoral mais democrático nos últimos 47 anos, carecia de um governo efetivo desde a queda do ditador Siad Barre em 1991, que deixou o país nas mãos de milícias radicais islâmicas, "senhores da guerra" e grupos armados. / EFE

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