Secretário-geral da ONU pede aumento da segurança nuclear

Os países que usam energia nuclear precisam assegurar que seus reatores sejam construídos de modo a resistir a desastres múltiplos, depois de o acidente nuclear no Japão ter revelado lacunas nos padrões de segurança, disse na terça-feira o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon.

STE, REUTERS

10 de maio de 2011 | 14h15

Também é preciso que sejam forjadas parcerias mais fortes com a indústria atômica para incrementar a segurança, disse Ban, observando que a tecnologia nuclear também pode ser empregada para finalidades médicas, melhorias na produção agrícola e a promoção do desenvolvimento sustentável.

Um terremoto e um tsunami no nordeste do Japão em março desencadearam o acidente na usina nuclear de Fukushima Daiichi, a pior crise nuclear do mundo em 25 anos, levando a questionamentos sobre o futuro da energia nuclear e alimentando o medo público, disse Ban.

"Os países dotados de tecnologia nuclear avançada precisam assegurar que seus reatores nucleares sejam capazes de resistir a perigos múltiplos - combinações diversas de um terremoto, tsunami, inundação e incêndio", disse ele em uma mesa-redonda promovida pela ONU para discutir o aumento do preparo para acidentes nucleares.

Nenhum país está imune a desastres, disse Ban. "Com nossas ações, podemos agravar os desastres ou reduzir seu efeito."

Ban já anunciou planos para uma cúpula sobre segurança nuclear em 22 de setembro em Nova York.

O governo japonês anunciou na terça-feira que não definirá um limite inicial às indenizações devidas pela empresa Tokyo Electric Power (Tepco) pelos danos causados pelo vazamento radiativo de sua usina de Fukushima e disse que a empresa terá que apertar o cinto ainda mais.

Os moradores em um raio de 20 quilômetros em volta da usina foram tirados de suas casas, e os habitantes de cinco cidades situadas na direção dos ventos da usina também foram instruídos a preparar-se para deixar suas casas.

CONTROLANDO A SITUAÇÃO

"Estamos nos esforçando para impedir emissões maiores de substâncias radiativas", disse o embaixador do Japão na ONU, Kenichi Suganuma, em Genebra. "É provável que dentro de dois meses a radiação tenha caído muito, o que facilitará os trabalhos no interior da usina."

"Nossa prioridade é controlar a situação no prazo mais breve possível. Como passo seguinte, vamos estudar o incidente a fundo, analisar as causas do acidente e o que está faltando em termos de padrões de segurança."

Desde 1976 ocorreram no mundo 26 incidentes nucleares que poderiam ter alcançado o nível 7 - indicativo do grau mais grave de incidente -, disse no encontro Yuri Brazhnikov, diretor do organismo de emergências do Ministério russo da Defesa Civil.

"Os acidentes de Three Mile Island e Chernobyl mostraram à comunidade internacional que emergências graves, mesmo os de baixa probabilidade, precisam ser incluídos nos planos de emergência", falou Elena Buglova, diretora interina do centro de incidentes e emergências da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

Ela se referia a um acidente nos EUA em 1979 e ao acidente nuclear ocorrido na Ucrânia em 1986. Desastres, um centro colaborativo da ONU.

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