Secretário-geral da ONU viaja ao Oriente Médio nesta semana

O secretário-geral das Nações Unidas, o sul-coreano Ban Ki-moon, inicia esta semana sua primeira viagem pelo Oriente Médio com o objetivo de relançar o processo de paz entre árabes e israelenses, um assunto que qualificou de "crucial" e com "grandes implicações de segurança em todo o mundo"."A paz no Oriente Médio tem grandes implicações de segurança no mundo todo, principalmente devido à relação entre israelenses e árabes, que é de importância crucial", afirmou à Efe na primeira entrevista concedida a um meio em língua espanhola desde que assumiu o cargo, em 1º de janeiro.Ban explicou que sua viagem responde a seu interesse em conhecer de primeira mão a situação na região, onde assistirá à Cúpula da Liga Árabe prevista para o dia 28 na capital da Arábia Saudita, Riad, e visitará Israel e os territórios palestinos, com escalas no Líbano, Egito e Jordânia.A viagem coincide com novos esforços do chamado Quarteto de Madri - integrado por ONU, União Européia, Estados Unidos e Rússia - para reativar o diálogo entre palestinos e israelenses e é a segunda de Ban Ki-moon como secretário-geral das Nações Unidas, após a realizada em fevereiro pela Europa e a África.Ban se referiu também à crise nuclear com o Irã e expressou sua esperança de que se resolva através do "diálogo"."A não-proliferação de armas de destruição em massa é muito importante para a paz e a segurança internacional", advertiu Ban às vésperas de que o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, se dirija ao Conselho de Segurança da ONU para explicar a negativa do país a suspender suas atividades nucleares."Sinceramente, espero que os iranianos optem desta vez pelas negociações com a comunidade internacional e possamos ver uma solução pacífica para a situação", afirmou o secretário-geral da organização, que lembrou que o Conselho de Segurança debate uma nova resolução com sanções contra o regime dos aiatolás.Coréia do NorteO ex-ministro de Exteriores sul-coreano evitou estabelecer paralelismos entre a crise nuclear com o Irã e a da Coréia do Norte."A Coréia do Norte se comprometeu a desmantelar suas armas, instalações e programas nucleares em troca de assistência econômica e garantias de segurança", afirmou, referindo-se ao acordo firmado em 13 de fevereiro no diálogo multilateral que o país mantém com a Coréia do Sul, Japão, EUA, Rússia e China."Esperamos que possamos ver em breve a desnuclearização da Península de Coréia", disse.Ban ressaltou que, no caso do Irã, ao contrário, o governo de Teerã "não cumpriu o prazo imposto pelo Conselho de Segurança para que suspenda suas atividades de enriquecimento de urânio", um processo que, na opinião dos analistas, é a base para a elaboração de armas atômicas.DarfurAlém disso, o secretário-geral abordou a situação na região de Darfur, no oeste do Sudão, e, assim como seu antecessor, Kofi Annan, considerou que é o cenário do pior desastre humanitário do século XXI no mundo.Ban calculou em "quatro milhões" o número de pessoas afetadas pela crise e que precisam de assistência humanitária em Darfur.Ele qualificou de "lamentável" que o presidente sudanês, Omar Hassan Ahmad al-Bashir, tenha rejeitado a proposta de mobilizar em Darfur uma missão composta pela ONU e a União Africana (UA), de acordo com uma resolução adotada pelo Conselho de Segurança."O governo do Sudão deveria ter aceitado nossa proposta conjunta para permitir o desdobramento de uma força híbrida que ajude a avançar em paralelo ao processo político", afirmou, em alusão ao plano detalhado que o próprio Ban enviou a Bashir em fevereiro sobre a composição da força e que foi rejeitado pelo governo de Cartum.O secretário-geral da ONU anunciou na entrevista o envio nesta semana ao Sudão do enviado especial para Darfur, Jan Eliasson, que, junto ao representante da UA, Salim Ahmed Salim, tentará retomar o diálogo com as autoridades sudanesas."Espero que o governo sudanês aceite nossa nova proposta, que permitirá assistir os que sofrem pelo conflito", acrescentou.Ban expressou também sua preocupação com "a insegurança, a violência sectária e o fluxo de deslocados" no Iraque e espera que o plano internacional para a reconstrução do país tenha êxito.O projeto foi apresentado na semana passada na sede da ONU em Nova York e contou com o apoio de cem Estados-membros do organismo mundial.

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