Secretário geral da Otan é contra armar rebeldes líbios

Anders Rasmussen fica contra EUA e Grã-Bretanha, que consideram enviar armas aos grupos que combatem Khadafi.

BBC Brasil, BBC

31 Março 2011 | 11h48

O secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen, voltou a declarar nesta quinta-feira que se opõe ao envio de armas aos rebeldes líbios. Rasmussen disse a jornalistas que a coalizão está presente no país para proteger as pessoas, e não armá-las.

Fogh Rasmussen já havia dito anteriormente que a atuação da Otan na Líbia não previa o envio de armas a qualquer grupo. Sua nova declaração, no entanto, o coloca em direta oposição aos Estados Unidos e à Grã-Bretanha.

Na última terça-feira, o presidente Barack Obama disse, em entrevista ao canal de TV americano ABC, que o regime líbio está enfraquecido e que os Estados Unidos não descartavam o envio de armas para os grupos de oposição ao coronel Muamar Khadafi.

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, também disse na quarta-feira, em discurso do parlamento, que o entendimento dele é que a resolução da ONU que estabelece a ofensiva militar não excluiria o fornecimento de armas aos rebeldes, dentro do objetivo de proteger civis.

Horas depois, o chanceler russo Sergei Lavrov disse que a coalizão não tinha o direito de armar a população líbia e que a Rússia estava de acordo com a Otan.

Recuo

O comentário do secretário-geral é feito no momento em que as forças rebeldes da Líbia sofrem um novo revés nos combates contra as forças leais ao coronel Khadafi.

Da estrada que liga as duas principais cidades em disputa, Ajdabiya e Brega, um correspondente da BBC testemunhou o momento em que o carro chefe do comboio rebelde foi explodido pelas forças de segurança.

Após o incidente, centenas de veículos recuaram da estrada.

Segundo o correspondente, a falta de equipamento militar está impedindo que as forças contrárias a Khadafi avancem para o oeste do país.

Na última quarta-feira, os rebeldes voltaram a perder terreno e abandonaram antigos redutos na costa oriental da Líbia.

Relatos dão conta de intensos ataques das forças de Khadafi na cidade de Misrata, na costa oeste, e de combates entre Ras Lanuf e Bin Jawad.

Do leste, em Ajdabiya, o correspondente da BBC Ben Brown relata que "os rebeldes não têm poder de fogo para enfrentar as tropas de Khadafi, que parecem mais bem preparadass".

Mortes civis

O recuo rebelde começou na terça-feira e se seguiu a um breve período de vitórias dos opositores, com o auxílio dos bombardeios da coalizão internacional que tem atacado as tropas pró-Khadafi.

Os países-membros da coalizão estão analisando a possibilidade de armar os rebeldes. Os Estados Unidos e a França dizem que estãoenviando representantes ao bastião rebelde de Benghazi para fazer contato com a administração interina local.

O analista de assuntos diplomáticos da BBC Jonathan Marcus diz que se os reveses dos rebeldes prosseguirem, deverá crescer a pressão para organizar um envio de armas.

Mas ele ressalta que os efeitos adversos de fornecer armas a opositores já foram vistos em países como Bósnia e Afeganistão e devem servir de alerta para as forças estrangeiras.

A reunião internacional sobre a Líbia, realizada em Londres nesta terça-feira, foi concluída com a decisão de montar um grupo - que inclua lideranças árabes - para coordenar a eventual ajuda à Líbia caso Khadafi deixe o poder.

Estima-se que milhares de pessoas foram mortas desde o início dos combates entre as forças rebeldes e o governo de Khadafi.

Um oficial do Vaticano em Trípoli, Giovanni Martinelli, disse que 40 civis foram mortos em ataques aéreos da coalizão à cidade.

Martinelli disse que as pessoas morreram em consequência do desmoronamento de um edifício atingido pelos ataques.

Oficiais do governo líbio levaram jornalistas estrangeiros para lugares que alegam ter sido bombardeados pelas tropas da coalizão, mas os países envolvidos na ação militar dizem que não há evidências confirmadas da morte de civis.

Abandono de posto

O ministro das Relações Exteriores da Líbia, Moussa Koussa, foi interrogado por autoridades britânicas nesta quinta-feira. Ele chegou ao Reino Unido de forma inesperada na noite anterior, anunciando que havia abandonado seu posto junto ao regime de Muamar Khadafi.

Segundo o ministro das Relações Exteriores britânico, William Hague, Koussa - um dos principais homens do regime líbio e muito próximo a Khadafi- não receberá imunidade diplomática.

Hague afirmou ainda que a dissidência no alto escalão do governo líbio mostra que o regime de Khadafi está "implodindo".

Desde que a rebelião começou na Líbia, em fevereiro, vários funcionários de alto escalão do regime se juntaram à oposição. Entre eles estão o ministro do Interior, o ministro da Justiça e os embaixadores líbios junto aos EUA, à ONU, à França e à Índia.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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