MARCELO HERNÁNDEZ/EFE
MARCELO HERNÁNDEZ/EFE

Secretário-geral da Presidência do Chile renuncia após denúncia de corrupção

Jorge Insunza entrega cargo após denúncias de que teria recebido honorário de empresas enquanto presidia comissão na Câmara; em viagem pela Europa, Bachelet só voltará ao país na próxima semana

O Estado de S. Paulo

08 de junho de 2015 | 10h52

SANTIAGO - O secretário-geral da Presidência do Chile, Jorge Insunza, renunciou ao cargo no domingo, 7, após denúncias de ter cobrado honorários de empresas mineradoras enquanto presidia a Comissão de Mineração da Câmara dos Deputados.

Insunza foi nomeado no dia 11 de maio, como parte do profundo ajuste ministerial promovido pela presidente do Chile, Michelle Bachelet, para tentar superar uma crise iniciada após a divulgação de vários casos de corrupção nos últimos meses.

O agora ex-secretário-geral da Presidência, que deixou sua cadeira na Câmara dos Deputados para assumir o cargo, acusou a oposição de usar as denúncias contra ele para atacar Bachelet. A renúncia ocorreu após exigência de vários setores políticos chilenos, incluindo o governista Partido pela Democracia (PPD), do qual faz parte.

Antes, o próprio Insunza admitiu que, até o final do ano passado, cobrou honorários da empresa Antofagasta Minerals, controlada pelo grupo Luksic, em troca de análises políticas periódicas que ele mesmo divulgou há poucos dias para tentar esclarecer a situação.

Um dos casos de corrupção investigados pela Justiça é o financiamento de campanhas eleitorais por parte de empresas privadas que escondiam os pagamentos através da prestação de serviços que na verdade não existem. Os recibos ainda eram usados pelas companhias para reduzir a cobrança de impostos, ato que configura fraude.

A legislação chilena permite que os parlamentares realizem trabalhos paralelos a sua tarefa legislativa, mas Insunza presidia a Comissão de Mineração da Câmara enquanto escrevia os relatórios para o grupo Luksic, sendo duramente questionado do ponto de vista ético.

"Apresentei minha renúncia à presidente Bachelet. Lamento profundamente ter criado problemas para ela. Me comprometi a ajudá-la nessa fase, e ela merece esse respaldo de todos nós", disse Insunza.

"Minha lealdade passa agora pela minha renúncia e deixá-la em liberdade para tomar as melhores decisões", completou, destacando que a sociedade chilena exige atualmente um padrão muito maior em termos de probidade dos políticos.

Bachelet está em uma viagem pela Europa e só deve retornar ao Chile no meio da próxima semana. / EFE

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