Secretário pede paciência para resolver crise norte-coreana

O próximo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu nesta terça-feira à comunidade internacional paciência nas negociações com a Coréia do Norte para que abandone seu programa de armas nucleares, informaram fontes oficiais sul-coreanas. Na primeira visita a seu país de origem como sucessor de Kofi Annan à frente das Nações Unidas, Ban expressou seu pesar pela falta de progresso na última rodada de negociações multilaterais na semanapassada em Pequim. "É lamentável que a última rodada da reunião de seis lados não tenha tido nenhum avanço significativo", indicou Ban ao referir-se à reunião da qual participam China, as duas Coréias, Estados Unidos, Japão e Rússia. Ban, diplomata de carreira que foi ministro de Assuntos Exteriores sul-coreano entre 2004 e 2006, ressaltou que este tipo de negociações multilaterais "leva tempo" e "exige paciência". A quinta rodada para negociar o abandono do programa nuclear porparte do regime norte-coreano terminou na sexta-feira passada sem nenhum acordo. O diálogo multilateral foi reatado após 13 meses de bloqueio por parte da Coréia do Norte. Na reunião de Pequim, que ocorreu após o primeiro teste atômico da Coréia do Norte, em outubro, o regime de Pyongyang mostrou sua disposição a abandonar sua atitude de potência nuclear se Washington retirar as sanções impostas há um ano. Ao anunciar um recesso pelas festividades de fim de ano, as seis partes reafirmaram seu objetivo de apoiar o desarmamento norte-coreano em troca de ajuda energética e financeira e garantias de não-agressão, pontos citados na declaração conjunta de 19 desetembro de 2005. Ban qualificou de positivo o fato de que o marco do encontro se mantenha e pediu que se leve o diálogo nuclear adiante com "esperança e fé" de que o assunto pode ser solucionado. O secretário-geral eleito ofereceu também seu "papel complementar" como líder da ONU para que as negociações com a Coréia do Norte avancem, apesar de não ter planos imediatos de viajar ao país comunista. O diplomata sul-coreano qualificou a solução pacífica do conflito nuclear norte-coreano de tarefa prioritária da organização internacional. O novo secretário-geral da ONU, confirmado no cargo no dia 14, confessou sentir-se pressionado pelas principais tarefas que lhe esperam. "Sinto responsabilidade e pressão, já que tenho que lidar commais de 20 conflitos no mundo todo", disse Ban, acrescentando que está disposto a enfrentar tal desafio ajudado por suas mais de três décadas de experiência como diplomata e com o apoio do povoSul-coreano. Ao comentar o fato de que atualmente reside em um hotel nova-iorquino enquanto a residência oficial é reformada, disse ser "o homem dos consertos" e lembrou que durante seu cargo como chefe da diplomacia sul-coreana inaugurou o edifício do ministério. Na sede do Ministério de Assuntos Exteriores sul-coreano, Ban assistiu a uma homenagem que incluiu a inauguração de uma placa com um emblema da ONU e a bandeira dos 192 membros do organismo mundial. Em reunião com o presidente sul-coreano, Ron Moo-hyun, Ban expressou seu firme compromisso para solucionar os conflitos regionais no mundo, como o problema do Iraque e a questão palestino-israelense. Ban, que recebeu também um prêmio outorgado pela associação de imprensa sul-coreana, viajará na quinta-feira a Nova York para substituir seu antecessor Annan e assumir o cargo em 1º de janeiro.

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