Sectarismo pode levar à guerra civil

A divisão entre o norte muçulmano e o sul cristão na Nigéria e a violência desde a eleição do presidente Goodluck Jonathan podem levar o país a um novo conflito civil, defende o ex-embaixador dos EUA na Nigéria, John Campbell, do Council on Foreign Relations. Ele falou ao Estado por telefone.

Entrevista com

O Estado de S.Paulo

14 de novembro de 2011 | 03h03

De onde vem o financiamento do Boko Haram?

Assaltos a banco, roubos, sequestros são algumas fontes. Argumenta-se que táticas sofisticadas empregadas pela organização sejam evidência de sua ligação com redes terroristas como a Al-Qaeda do Magreb Islâmico ou o Al-Shabab da Somália. Por isso, os EUA, a Grã-Bretanha e Israel aprovaram assistência contra o terrorismo ao governo nigeriano.

Por que a estratégia contraterrorismo não tem funcionado?

Desde que foi eleito, o presidente tem usado exclusivamente políticas de segurança pública para lidar com o Boko Haram, alocando grande número de policiais no norte. E as forças de segurança têm respondido aos atentados com violência contra a população. Isso só distancia o governo dos habitantes do norte, que se sentem prejudicados em relação ao sul. Isso, além da pobreza e a percepção de um governo secular corrupto, ajudam a aumentar o apoio ao Boko Haram.

A noção de isolamento do norte muçulmano em detrimento do sul cristão é real?

Em vez de amenizar as tensões trazendo representantes do norte para o governo, o presidente os isolou ainda mais, cercando-se majoritariamente de integrantes de sua etnia, ijaw, e de outros grupos do sul e do Delta do Níger.

O Boko Haram é uma ameaça à comunidade internacional?

A desestabilização da Nigéria pode ter resultados catastróficos para todo o mundo. O país tem mais petróleo que a Líbia, onde o novo governo segue instável. Mesmo que o Boko Haram venha a manter ligações com redes terroristas internacionais, Washington não pode se arriscar em alienar uma população de 75 milhões de muçulmanos e não deveria deixar que suas táticas contraterroristas percam de vista as estratégias diplomáticas. A Nigéria é o principal parceiro de Washington no oeste da África.

Que estratégias seriam?

Pressionar o governo a dividir o poder e garantir a unificação do país e não o isolamento ainda maior do norte. / A. C.

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