Secularismo e religiosidade se opõem no país

De perto, é difícil notar a diferença entre as meninas ashkenazis e sefarditas. Todas vestem saias longas, meias e blusas sociais fechadas até o último botão. "A esperança era que a população se tornasse mais homogênea com o tempo. Isso ocorre entre laicos, mas não entre ortodoxos, que se isolaram para preservar suas tradições. O governo quis intervir, para agilizar a integração, e isso causou a confusão", disse Tamar El-Or, especialista da Universidade Hebraica de Jerusalém.

Nathalia Watkins, O Estado de S.Paulo

28 de junho de 2010 | 00h00

Tamar diz que entre os seculares, 40% dos casamentos são mistos. Entre os ortodoxos, isso quase não existe. Em Israel, país de imigrantes, é comum que a origem das famílias seja tema de conversas, piadas ou de preconceito, mas casos de racismo são quase inexistentes entre a população laica.

O quadro é diferente entre os ortodoxos. Tamar conta que os ashkenazis mantém o domínio cultural, enquanto os sefarditas não reclamam da segregação porque querem ser aceitos no grupo, que é tido como mais reservado, rígido e de nível intelectual superior.

Entre os ortodoxos, ashkenazis e sefarditas concordam que nenhuma lei está acima das leis bíblicas e da palavra dos rabinos. Além disso, grande parte dos homens ultraortodoxos dedicam sua vida aos estudos religiosos e não trabalham. Por isso, são alvo de críticas dos seculares.

Os ortodoxos representam 10% dos 7 milhões de habitantes de Israel. "O mundo pensa que a grande tensão é entre árabes e judeus, mas, na verdade é entre seculares e religiosos. Os principais pontos de conflito são as verbas distribuídas pelo governo, mas também as tentativas de impor seu estilo de vida", afirma Ira Sharkansky, especialista em religião e política da Universidade Hebraica de Jerusalém.

Ano passado, os ortodoxos protestaram contra a abertura aos sábados de um estacionamento na entrada da cidade velha de Jerusalém. Agora, estão em campanha para conseguir a separação entre homens e mulheres nos ônibus da cidade. "Existe uma segregação judaica voluntária. O problema é que a população ortodoxa cresce bem mais rápido do que a laica", diz Sharkansky.

Vozes das diversas correntes se unem para rejeitar a intervenção do Estado no que é tido como um "assunto privado" do setor religioso. "Obrigar a educar os filhos conforme o Estado quer é totalitarismo", disse o deputado Moshe Feiglin, do partido direitista Likud.

Radicais. Longe das discussões está um pequeno grupo radical de ultraortodoxos, o Neturei Karta. Eles rejeitam o sionismo e a própria existência do Estado de Israel por acreditar que somente o Messias pode formar o Estado judeu.

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