Sede do G8, Áquila ainda registra tremores diariamente

Esquema de segurança para G8 prevê transferência de encontro para Roma em caso de abalo forte.

Assimina Vlahou, BBC

08 de julho de 2009 | 07h06

O Instituto Nacional de Geofísica e Vulcanologia da Itália registrou, na manhã desta quarta-feira, leves tremores de terra de 2,4 graus na escala Richter na cidade de Áquila, onde líderes do G8 se reúnem para seu encontro anual, em meio a um esquema de segurança que prevê a transferência do encontro para Roma, se os abalos superarem os 4 graus.

Segundo Luigi Gucci, técnico do Instituto, abalos como estes tem sido comuns na região de Áquila, que foi devastada por um terremoto de 5,8 graus, no último dia 6 de abril, em que cerca de 300 pessoas morreram.

"São tremores que fazem parte do fenômeno de ajustamento do terreno. Registramos diversos abalos como estes diariamente", disse o técnico à BBC Brasil. Ele afirmou, contudo, que não é possível prever quando novos tremores vão ocorrer, nem se a intensidade deles vai ser mais forte.

Mas o chefe da Defesa Civil italiana, Guido Bertolaso, disse não estar preocupado com possíveis terremotos durante a cúpula do G8.

Segundo ele, a fortaleza de Coppito, que além de sediar o encontro vai hospedar os cerca de 1,5 mil participantes, como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, é segura e não sofreu danos no terremoto de abril.

"Coppito é capaz de suportar todos os tremores equivalentes aos que se verificaram ao longo da história no território de Áquila", afirmou Bertolaso a jornais italianos.

Difícil acesso

Além do plano de transferência para Roma, foi montado um imponente esquema de segurança, com 15 mil policiais, bombeiros, soldados e voluntários, que vai controlar a região de Áquila e de Roma para evitar possíveis ataques terroristas e manifestações violentas.

Baterias lança-mísseis foram instaladas no percurso que será feito pelas delegações, do aeroporto de Áquila até a fortaleza de Coppito. No patrulhamento aéreo, serão usados 12 helicópteros e sete aviões, entre eles o invisível Predator.

Lojas, restaurantes, hotéis e supermercados próximos a Coppito permanecerão fechados durante o encontro, e os moradores poderão circular apenas se tiverem crachá de identificação.

A cúpula do G8 estava originalmente marcada para ocorrer na ilha Madalena, na Sardenha. A decisão de mudá-la para Áquila ocorreu após o terremoto de abril, com o objetivo de chamar a atenção para as vítimas da tragédia, e substituir o luxo e a ostentação da ilha com a sobriedade e a contenção de gastos.

Segundo as autoridades italianas, há também um motivo estratégico para a escolha de Áquila. A localização geográfica da cidade, que tem as montanhas do Abruzzo à sua volta, facilita o controle da área e dificulta o acesso de manifestantes.

A Itália já foi sede de outras cúpulas do G8. A última, em Gênova, em 2001, foi marcada pela violência entre polícia e manifestantes, e deixou um jovem morto.

Para o analista político Raffaele De Mucci, a destruição provocada pelo terremoto deve manter os manifestantes à distancia.

"Áquila está com poucas e ineficientes vias de comunicação. É lógico, portanto, que o trabalho dos agentes de segurança fique mais fácil, o que não exclui que haja manifestações hostis, talvez, em cidades próximas", disse ele à BBC Brasil.

Grupos de manifestantes confirmaram que estão encontrando dificuldade para chegar até Áquila, onde está prevista uma manifestação na sexta-feira, dia de encerramento do encontro.

"É praticamente impossível chegar. Somente duas estradas ligam a cidade ao resto da Itália e uma delas foi destruída pelo terremoto", disse à BBC Brasil Mônica Di Sisto, ativista do grupo Fair Itália.

Segundo ela, as cerca de 24 mil pessoas que perderam suas casas por causa do terremoto e vivem em acampamentos na região também terão dificuldades para participar da manifestação, já que não podem deixar o local sem autorização.

Outras 30 mil pessoas estão morando em hotéis desde o terremoto.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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