Ségolène diz que quer reformar a França sem brutalizá-la

A candidata socialista Ségolène Royal, que vai disputar o segundo turno das eleições presidenciais francesas contra o conservador Nicolas Sarkozy, assegurou neste domingo, 22, que assume a responsabilidade de levar adiante "as mudanças para que a França se levante". Para Ségolène, o segundo turno, marcado para o dia 6 de maio, será um data "chave" para aqueles que acreditam que o sistema atual francês não funciona.O pronunciamento da candidata socialista foi feito em um colégio eleitoral de Melle, região oeste de Paris, onde Ségolène agradeceu aos eleitores que votaram nela para a presidência na França e contra o conservador Nicolas Sarkozy. A candidata afirmou ainda que ela representa os franceses que desejam "reformar a França sem brutalizá-la"."Temos que fazer triunfar os valores humanos frente aos comerciais", disse a candidata socialista, que fez pediu para que os franceses que defendem esses valores se unam a ela."Serei a presidente fiadora de um Estado imparcial", que não será"refém de nenhum clã, de nenhum grupo de pressão e de nenhumapotência financeira".O apelo de Ségolène se dirigiu a todos os franceses, mas, sobretudo, aos eleitores do centrista François Bayrou.Em uma clara tentativa de aproximação com Bayrou, terceirocolocado no pleito, a candidata socialista, que quer uma "República refundada e não estrangulada", pediu o apoio daqueles que pensam que "é urgente deixar de lado um sistema que já não funciona".Tanto Ségolène como Bayrou defendem reformas constitucionais einstitucionais que levem à fundação de uma Sexta República, enquanto Sarkozy apóia a melhoria da atual.Sorridente no início de seu longo pronunciamento, em que começouexpressando aos eleitores sua "alegria e profunda gratidão", Ségolène usou um tom grave e pausado quando pediu "audácia e serenidade" na "nova campanha" que começa agora, posto que dentro de 15 dias os franceses elegerão um novo "destino" e a "cara" da França."Queridos compatriotas, convido vocês a inventar uma França nova,fraternal e conquistadora", disse Royal a seus simpatizantes, que a interromperam em várias ocasiões gritando "Presidente, presidente" e "Sègolène, Ségolène".Vestida completamente de branco e situada atrás de uma tribuna naqual podia ser lido o lema de sua campanha "França, presidente",Ségolène, defensora da "ordem justa" e da "segurança duradoura",ressaltou que é "uma mulher livre" e que rejeita "cultivar o medo".Além disso, lembrou que suas prioridades serão a educação, a ajudaaos mais frágeis e o fortalecimento do tecido industrial, entreoutras.Quanto à política externa, Ségolène prometeu "defender os interesses da França na Europa e no mundo" e trabalhar para "uma Europa social e economicamente saneada", a serviço "da paz" e dos "países do sul"."Os franceses serão convocados a votar sobre um novo tratadoeuropeu, que será feito às claras", acrescentou.Ao concluir o discurso, Ségolène expressou seu desejo de poderdevolver à França seu "orgulho" e de recuperar "o ideal do séculodas luzes". Matéria alterada às 22h27 para acréscimo de informações

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