Ségolène e Bayrou descartam frente anti-Sarkozy na França

Os dois maiores rivais de Nicolas Sarkozy na corrida presidencial da França descartaram nesta segunda-feira, 16, qualquer possibilidade de selar um acordo a fim de tentar vencer o candidato conservador, que lidera a disputa com uma sólida vantagem às vésperas do primeiro turno, no domingo. Alguns simpatizantes da esquerda pediram à candidata socialista, Ségolène Royal, que se unisse ao centrista François Bayrou para impedir a vitória de Sarkozy, um ex-ministro do Interior que aparece à frente nas pesquisas de intenção de voto desde o começo do ano. Bayrou, que inicialmente parecia aberto à idéia, voltou atrás e descartou qualquer possibilidade de aliança. Royal rebateu novamente a sugestão de realizar negociações para formar uma frente anti-Sarkozy. "Não há nenhum acordo sobre uma inimaginável aliança na eleição presidencial antes do primeiro turno", afirmou Bayrou à rádio France Inter. Na semana passada, o ex-primeiro-ministro Michel Rocard, do Partido Socialista, aventou a hipótese de Royal e Bayrou se unirem no segundo turno contra Sarkozy. Bayrou vem fazendo campanha pedindo que os franceses saiam da rotina e dêem o controle do governo a alguém que não os socialistas ou o partido UMP (centro-direita). Mas pesquisas de opinião sugerem que os planos dele não estão funcionando. Os números mais recentes, publicados no final de semana, indicam que Sarkozy continua liderando a corrida com folga. Já que Royal aparece em segundo lugar, a eleição deve ser resolvida em uma clássica disputa entre a direita e a esquerda, no segundo turno (6 de maio). Mas até 40 por cento dos eleitores continuam indecisos, o que torna difícil prever com segurança o resultado. E ninguém descarta a possibilidade de Jean-Marie Le Pen, líder da extrema direita, surpreender mais uma vez, como aconteceu em 2002, quando passou para o segundo turno das eleições. No total, 12 candidatos vão participar do pleito no domingo. E se, conforme tudo indica, nenhum deles obtiver 50 por cento mais um dos votos, os dois concorrentes mais bem colocados participam do segundo turno, duas semanas mais tarde. A preocupação com o desemprego e a falta de segurança dominou a campanha. No entanto, de forma mais marcada do que aconteceu em outras eleições, a escolha final de muitos eleitores deve se basear antes no carisma dos candidatos, e não em suas propostas de governo.

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