Ségolène Royal, a ´gazela´ da política francesa

Ségolène Royal se auto-apelidou de a "gazela" da política francesa. Tal nominação é para se distinguir da velha guarda do Partido Socialista - homens de terno apelidados de "elefantes". Ségolène tem 53 anos, e criou uma nova atitude política na França. Enquanto a maioria adota uma postura arrogante e séria, ela é simples e simpática. Diferente da grande maioria dos políticos franceses, ela sorri - bastante. Suas frases transmitem fé à população comum. Ela fala em "democracia participativa" e "inteligência coletiva". Freqüentemente ela irrita a velha guarda, pois prefere fazer as coisas do seu jeito, sem se importar com algumas tradições socialistas. "Dizem que as gazelas correm mais rápido que os elefantes", brincou uma vez. A ex-ministra da Família e do Meio Ambiente teve seu potencial enterrado por seus colegas durante muito tempo, que procuravam um candidato presidencial mais tradicional, alguém como o marido de Ségolène, o líder do partido Socialista François Hollande. O casal tem quatro filhos. Em vez disso, Hollande foi sendo colocado de lado conforme Ségolène foi subindo nas pesquisas, prendendo a imaginação dos eleitores. Após mais de uma década sob o poder do Presidente Jacques Chirac, de 73 anos, a França quer mudanças - especialmente depois dos levantes populares dos adolescentes das periferias no ano passado, e depois dos violentos protestos de estudantes universitários no início do ano. "Tantas pessoas têm se desligado da política", disse Florian Liscouet, estudante de Ciências Políticas, de 19 anos, que votou em Ségolène na primária de quinta-feira. "A política francesa precisa se rearmar". Ségolène promete uma ruptura com o passado, em parte por ser mulher e mãe procurando respostas para a juventude, mas também pela forma com que ela conduziu sua campanha. Em vez de tentar ganhar os líderes socialistas, ela foi direto ao povo, prometendo escutá-lo. "A política deve ser baseada na vida das pessoas", disse Royal em sua primeira coletiva de imprensa nesta sexta-feira, após ser eleita candidata a presidente do Partido Socialista. "Deve estar atenta às lições do povo." Mas a "submissão" de Ségolène aos eleitores despertou acusações de que ela é muito populista e carece de idéias próprias. Questionada se a Turquia deveria fazer parte da União Européia, ela disse que sua opinião "é a do povo francês".

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