REUTERS/Ronen Zvulun
REUTERS/Ronen Zvulun

Segregação de gênero em Jerusalém

Tradição religiosa impede que mulheres e homens compartilhem o mesmo espaço no Muro das Lamentações, e as jornalistas que cobriram a visita do vice americano ao local não conseguiram vê-lo rezando

O Estado de S.Paulo

23 Janeiro 2018 | 21h20

JERUSALÉM - As jornalistas que cobriram a viagem do vice-presidente americano, Mike Pence, a Israel se lembrarão para sempre do “tratamento especial” que receberam da segurança do primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, e do seu ponto de vista “singular” que tiveram da visita de Pence ao Muro das Lamentações, em Jerusalém.

Na manhã da segunda-feira, 22, no gabinete de Netanyahu, uma jornalista de uma TV finlandesa recebeu a recomendação de retirar seu sutiã durante uma checagem de segurança excessivamente zelosa - e humilhante. Ao se recusar, a profissional foi impedida de participar da entrevista coletiva que Pence concedeu com o premiê.

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Depois disso, nesta terça-feira, 23, as jornalistas ficaram contrariadas ao descobrir que haviam sido relegadas a cobrir a espiritual visita de Pence ao Muro das Lamentações, um dos lugares mais sagrados do judaísmo, separadas por uma cerca.

O local é administrado por uma fundação judaica ultraortodoxa e, segundo a tradição, os gêneros são separados por uma barreira: os homens ficaram de um lado, as mulheres, de outro. A fundação que administra o lugar sagrado instalou plataformas de ambos os lados, ao longo da cerca. O problema foi que, enquanto Pence rezava na seção masculina, era impossível para as jornalistas vê-lo, pois as câmeras e os microfones encobriam o vice-presidente.

Os ultraortodoxos disseram que a mesma situação ocorreu quando o presidente Donald Trump esteve no local, em maio. Eles rejeitaram as reclamações e “qualquer tentativa de desviar a discussão da importante e emocionante visita” de Pence a Jerusalém. As jornalistas, porém, discordaram e criaram a hashtag #pencefence (a cerca de Pence) para criticar a situação. / W.POST 

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