Benoit Tessier/Reuters
Benoit Tessier/Reuters

Seguidores de Le Pen e de Mélenchon são os mais revoltados nas redes sociais

Eleições presidenciais na França têm acirrado os ânimos na internet; especialistas debatem influência da rede no resultado

O Estado de S.Paulo

22 Abril 2017 | 04h49

PARIS - Os seguidores da candidata da extrema direita Marine Le Pen e do conservador François Fillon son os mais belicosos nas redes sociais, assim como os de Donald Trump no período de sua campanha.

São eles os que propagam mais termos desrespeitosos contra a imprensa internacoinal e rivais políticos. A afirmação é de especialistas em comunicação digital, que debatem a influência das redes sociais há um dia do primeiro turno das eleições presidenciais francesas mais disputadas dos últimos tempos. 

Para David Chavalarias, criador de um sistema que analisa o peso das comunidades políticas no Twitter, a campanha de Le Pen tem traçoes semelhantes ao das eleições norte-americanas de 2016, com a vitória surpreendente do republicano Donald Trump contra a democrata Hillary Clinton. Ele diz que há "intoxicação informativa e calúnia" nas redes e cita a proliferação de xingamentos contra os meios de comunicação tradicionais. 

Já Arnaud Mercier, pesquisador Centro Nacional Francês de Pesquisas Científicas (CNRS, na sigla em francês), diz que o país não vive o mesmo fenômeno que Estados Unidos. "Os meios de comunicação tradicional de propaganda política seguem tendo peso, como vimos no caso de Mélenchon. Seu crescimento nas pesquisas começou com o primeiro debate presidencial televisivo entre os cinco principais candidatos", disse. 

No entanto, Mercier reconhece que em um contexto tão acirrado como o atual, "as redes sociais podem fazer a diferença". 

Segundo as últimas pesquisas, o sócio-liberal Emmanuel Mácron e Marine Le Pen têm a preferência dos eleitores, seguidos por François Fillon (20%) e pelo candidato de esquerda Jean-Luc Mélenchon (18,5%). 

Twitter, Facebook e Youtube são canais frequentemente utilizados pelos cinco principais candidatos e, entre eles, Mélenchon é considerado o mais inovador. Ele usa o canal de vídeos Youtube com práticas semelhantes às dos "youtubers" mais consagrados, mostrando-se mais próximo do público - tem 280 mil seguidores na rede, o maior número entre os candidatos. 

Ainda que Le Pen seja líder destacada em seguidores no Twitter, com 1,37 milhão, e no Facebook, com 1,3 milhão, Mercier destacou que Emmanuel Macron faz um bom uso da internet. "Ele não tem outra opção: tem que fazer-se forte nas redes sociais porque Mélenchon e Le Pen trabalham com elas há anos". 

De acordo com as pesquisas, cerca de 30% dos eleitores ainda não decidiram seu voto. As redes sociais podem convencer? Para Mercier, não no casos dos eleitores com mais de 65 anos - pelo menos 25% do eleitorado. / EFE

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