''Seguirão tentando nos neutralizar''

Jornalista fala sobre blitz da Receita Federal ao 'Clarín', na quinta-feira, e sobre a perseguição do governo à imprensa

Ariel Palacios, O Estadao de S.Paulo

12 de setembro de 2009 | 00h00

"Se existe liberdade de expressão na Argentina é porque os jornais argentinos lutam por ela." A frase é de Ricardo Kirschbaum, editor-geral do Clarín, jornal que passou esta semana por uma blitz da Afip, Receita Federal argentina. Kirschbaum, de 60 anos - 32 no jornal -, disse ao Estado que o governo da presidente Cristina Kirchner mantém hostilidade permanente com a imprensa.

O sr. acha que o cerco dos Kirchners à imprensa pode aumentar?

Não sei dizer onde a coisa vai parar. Acho que o governo continuará buscando um jeito de nos neutralizar. A Argentina é um país que vive permanentemente entre o urgente e o desesperado. Em todos os setores, incluindo o futebol.

O diretor da Receita (Ricardo Echegaray) disse que não ordenou a blitz. Então, quem foi?

Não há dúvida de que o governo estava por dentro. Houve uma ordem e alguém a cumpriu. Duzentos fiscais não se juntam sem que as autoridades saibam.

O sr. acha que está ocorrendo uma "chavização" da Argentina?

Os Kirchners e Chávez têm traços comuns. Não são exatamente iguais. É inegável que há uma tensão na Venezuela entre governo e imprensa. Esse confronto parte de uma concepção ideológica de que os meios de comunicação devem ser subordinados ao poder. Na Argentina, estão tentando adotar esse modelo. O primeiro passo é atingir o grupo de mídia mais importante do país. O segundo é o governo tomar porções do mercado.

Cristina Kirchner disse que nunca houve tanta liberdade de expressão na Argentina. O que o sr. acha disso?

Cada presidente que passa diz o mesmo. Se existe liberdade de expressão neste país é porque os jornais da Argentina lutam por ela.

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