Segunda província pede renúncia do presidente paquistanês

Fronteira do Noroeste aprova lei que obriga Musharraf a tentar voto de confiança ou enfrentar impeachment

Efe,

12 de agosto de 2008 | 11h11

O Parlamento da Província da Fronteira do Noroeste exigiu nesta terça-feira, 12, que o presidente do Paquistão, Pervez Musharraf, se submeta a um voto de confiança na Câmara, informaram as redes de televisão do país. A Assembléia é a segunda Câmara provincial a aprovar esta moção, depois que a do Punjab (leste) abriu caminho no processo para tirar Musharraf do poder, manobra anunciada na semana passada pelos partidos da coalizão governista. A resolução foi aprovada com 107 votos a favor, 13 abstenções e 4 contra, em uma Assembléia provincial onde o partido de Musharraf, a Liga Muçulmana do Paquistão-Quaid (PML-Q), conta com pouca representação, apenas seis assentos. Caso Musharraf recuse o voto de confiança, os partidos governistas darão início ao processo de impeachment contra o presidente por violação da Constituição e "má conduta grave". Alguns deputados gritaram "Musharraf, vá embora logo" durante a sessão, segundo imagens do canal privado Geo TV. Embora o Parlamento da província de Sindh (sudeste) tenha se reunido nesta terça, a votação de uma resolução similar será realizada apenas na quarta-feira, da mesma forma que a Assembléia do Baluchistão (sudoeste), que convocou uma sessão extraordinária.  Para que Musharraf seja destituído da Presidência é necessário que metade dos membros das duas Câmaras federais apresente uma lista de acusações contra o presidente, algo que está previsto para semana que vem, segundo a ministra da Informação paquistanesa, Sherry Rehman, citada pela Geo TV. Rehman disse que o documento que os partidos do governo estão preparando será suficientemente sólido para que Musharraf não tenha possibilidade de se defender. Posteriormente, será convocada uma sessão conjunta entre a Assembléia Nacional e o Senado, no máximo em duas semanas, para investigar, debater e votar a cassação. Apesar das pressões externas, Musharraf mantém por enquanto a firme decisão de enfrentar o processo de impeachment no Parlamento e afirmou que responderá a todas as acusações que forem apresentadas contra si para demonstrar que agiu no interesse da nação. Para que a cassação seja consumada, são necessários dois terços dos votos dos parlamentares na sessão conjunta.

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