Segundo deputado da oposição é morto a tiros no Quênia

Oficial diz que parlamentar assassinado por policial é vítima de crime passional; partido denuncia conspiração

Associated Press e Reuters,

31 de janeiro de 2008 | 09h03

Um deputado da oposição foi morto a tiros pela polícia no Vale Rift, informou um líder de seu partido, o segundo parlamentar a ser morto esta semana no país convulsionado por lutas étnicas desde a contestada eleição presidencial do mês passado.  Veja também: Entenda o conflito no Quênia   Henry Kosgie, do oposicionista Movimento Democrático Laranja, disse que testemunhas viram David Too sendo atingido pelo disparo de um policial numa barreira rodoviária enquanto viajava de carro de Nairóbi para a cidade de Eldoret, no Vale Rift. Um repórter da Associated Press viu o corpo do deputado Too num hospital de Eldoret, onde o subcomandante da polícia Gabriel Kuya disse ter se tratado de um crime passional. Segundo Kuya, um policial de trânsito descobriu que sua namorada estava tendo um caso com Too, e quanto viu os dois no carro do deputado, ele os perseguiu de motocicleta. "Ele emparelhou com o carro e deu dois tiros no estômago da mulher. Seu parceiro (o deputado Too) implorou ao policial para não matá-la, mas ele virou a pistola contra ele e o matou com quatro tiros na cabeça", relatou. Odinga afirmou que a morte do segundo deputado se trata de uma conspiração para reduzir a maioria opositora no Parlamento. Na segunda-feira passada, outro legislador do ODM, Mugabe Were, foi assassinado em um incidente que seu partido vinculou à violência política no país desde as últimas eleições, que deixou cerca de 800 mortos. Were foi morto a tiros por dois desconhecidos na porta de casa, perto do bairro de Kibera, nos arredores desta capital. A morte de Anamoi ocorre no mesmo dia em que representantes do governo e da oposição começaram as conversas formais para tentar buscar uma solução para a crise queniana, a mais grave nos 40 anos de história desta ex-colônia britânica. Nesta fase das negociações não está prevista a presença do presidente queniano, Mwai Kibaki, e do líder da oposição, Raila Odinga, que participaram do lançamento oficial das conversas. O parlamentar era do mesmo partido do líder de oposição Raila Odinga, derrotado no pleito. Odinga acusa o presidente reeleito, Mwai Kibaki, de ter fraudado as eleições. Mais de 800 quenianos foram mortos e 300 mil, obrigados a abandonar suas casas. Se o conflito começou por motivos políticos, os confrontos agora tomaram um caráter étnico, basicamente entre kikuyus - que controlam a política e os negócios desde a independência, em 1963 - contra luos e kalenjins.  O Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) no Quênia fez um alerta na quarta-feira afirmando que há um imenso risco de que a situação se deteriore ainda mais. "Está ocorrendo uma sucessão de ataques, represálias, e contra-represálias. Pessoas estão sendo mortas em circunstâncias terríveis. Muitos perderam tudo e centenas de milhares estão vivendo em acampamentos precários", afirmou Pascal Cuttat, chefe da delegação do CICV em Nairóbi. Negociações O presidente Mwai Kibaki viajou na quinta-feira à Etiópia, onde participa da cúpula da União Africana, que deve ser dominada pela situação do Quênia.  Em Nairóbi, delegações do governo e da oposição se reuniram para um segundo dia de negociações sob a mediação do ex-secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU) Kofi Annan.  A entidade Human Rights Watch pediu aos líderes africanos que manifestem apoio a uma investigação independente sobre a votação e a violência que se seguiu.

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