Segundo lei federal, Cho deveria ser impedido de ter arma

Se uma lei federal tivesse sido cumprida pelas autoridades do estado da Virgínia, nos Estados Unidos, o sul-coreano Cho Seung-hui, responsável pelo massacre de 32 pessoas na universidade Virginia Tech, poderia ter sido impedido de comprar as armas com que comentou o crime. A constatação está em uma reportagem do New York Times publicada neste sábado, 20. O texto cita uma lei que proíbe a compra de armas por qualquer pessoa "sentenciada como com problemas mentais", assim como quem foi enviado involuntariamente para receber tratamento psiquiátrico. Uma corte estadual declarou Cho um perigo para si próprio no final de 2005, e ele foi enviado para tratamento. Segundo o presidente da Comissão para a Reforma da Lei de Saúde Mental da Suprema Corte da Virgínia, Richard J. Bonnie, a decisão do tribunal do estado deveria ter imediatamente desqualificado Cho para a compra de armas. De acordo com NYT, o que permitiu que o suicida comprasse duas pistolas - uma 9 mm e outra .22 - foi uma falha do estado da Virgínia em classificar Cho como doente mental e em notificar as autoridades federais. O jornal destaca que o problema sublinha a necessidade de se aprofundar a atenção dada à checagem dos antecedentes de potenciais compradores de armas.Atualmente, apenas 22 estados americanos enviam todas as informações sobre saúde mental para o Sistema Nacional de Checagem Instantânea de Antecedentes Criminais, informou o FBI. Ironicamente, a Virgínia é o estado que mais desqualifica potenciais compradores por critério de saúde mental.Definições diferentesEntretanto, Cho comprou as pistolas por causa de diferenças na definição de problemas mentais pela lei estadual e federal. Segundo o critério federal, qualquer pessoa que por motivo de problemas mentais tenha sido determinada um "perigo para si mesma ou para outros por corte, comissão ou qualquer outra autoridade legal" está impedido de comprar armamentos. Embora mantenha critérios semelhantes, a lei estadual usa palavras diferentes. De acordo com a legislação, são dois os motivos que disparariam um aviso para Sistema Nacional de Checagem Instantânea de Antecedentes Criminais: um internação involuntária ou a classificação da pessoa como mentalmente "incapacitada".Depois que duas mulheres reclamaram do comportamento de Cho em 2005, ele foi enviado para uma unidade de psiquiatria da universidade para avaliação, e depois mandado a tratamento fora do campus. Segundo a lei da Virgínia, a medida não seria qualificada como internação involuntária, explicou o magistrado Bonnie."Está claro que possuímos uma ligação imperfeita entre a lei estadual e a aplicação da proibição federal", disse Bonnie. A comissão liderada por ele foi criada no ano passado para examinar as leis de saúde mental do estado. "Vamos consertar esse problema", disse ele.

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