Segundo pesquisas, Fatah obterá vitória apertada

O partido governista Fatah deve obter uma vitória apertada na primeira eleição parlamentar palestina dos últimos dez anos, conquistando cadeiras suficientes para governar sem o apoio do movimento Islâmico Hamas, indicaram pesquisas de boca-de-urna divulgadas após o término do pleito. O forte crescimento do Hamas - que contesta todas as pesquisas de boca-de-urna -, no entanto, reflete o descontentamento popular com o Fatah, partido secular que conduz a Autoridade Palestina desde a sua criação e que está envolvido em escândalos de corrupção e má administração.De acordo com uma pesquisa de boca de urna realizada pela Universidade de Bir Zeit, em Ramallah, o Fatah levará 63 assentos de 132, com 46,4% dos votos, enquanto o Hamas deve ficar com 58 cadeiras e 39,5% da preferência do eleitorado. Ainda segundo o levantamento, que consultou 8.000 eleitores, os partidos menores ocuparão 11 cadeiras. Uma segunda pesquisa mostra o Fatah vencendo o Hamas com 42% contra 35% dos votos.Caso esses resultados se confirmem, o Fatah poderá formar um governo de coalizão com os partidos pequenos, sem a necessidade de negociar com o Hamas, cenário que agrada o líder palestino Mahmoud Abbas.Na cidade de Gaza partidários do grupo fundado por Yasser Arafat comemoraram os resultados preliminares das eleições com tiros para o alto. Carros cruzavam as ruas buzinando e exibindo as bandeiras amarelas do movimento. "Embora este não seja o resultado oficial, nós temos que comemorar", disse um jovem de 22 anos que exibia um rifle de assalto pela janela de seu carro. "O vencedor é o povo palestino", completou.Centenas de milhares de palestinos ganharam as ruas da Faixa de Gaza e da Cisjordânia nessa quarta-feira para decidir como a Palestina deve ser governada e como as negociações com Israel devem ser conduzidas. Longas filas se formaram nas seções eleitorais ao longo do dia e 77% dos eleitores de um total de 1,3 milhão participaram da votação.A participação superou em seis pontos a das únicas eleições legislativas anteriores na ANP, realizadas em 1996, e em 11 pontos a do pleito presidencial do ano passado. Na Faixa de Gaza a participação foi de 81,65%, enquanto na Cisjordânia 74,18% dos inscritos exerceram seu direito, segundo os dados oficiais divulgados em entrevista coletiva pelo porta-voz da Comissão Eleitoral Central palestina, Ammar Dwaik. A participação mais alta nos 16 distritos em que o mapa eleitoral palestino foi dividido correspondeu a Rafah, onde 89% dos inscritos votaram, disse o porta-voz. "O processo transcorreu com total tranqüilidade e o povo palestino expressou de forma civilizada e com um alto senso de responsabilidade sua vontade", disse Dwaik. O porta-voz afirmou ainda que não tinha informações sobre denúncias de irregularidades ou fraude, como ocorreu nas eleições presidenciais de 2005, vencidas por Mahmoud Abbas, da Fatah.Funcionários da comissão eleitoral começaram a contar os votos logo após o fechamento das seções e os primeiros resultados são esperados para o início dessa quinta-feira. Já o resultado final deve sair na noite de quinta-feira. O presidente Abbas elogiou o espírito democrático do povo palestino e reiterou sua vontade de negociar com Israel. "O processo transcorreu com grande calma e de maneira exemplar, o que indica realmente que este povo, apesar da ocupação, esteve comprometido com este grande acontecimento democrático", disse Abbas em declarações à imprensa na Muqata de Ramala, sede do Governo palestino. "O povo palestino é um grande povo e tem um alto senso democrático", ressaltou.O presidente lembrou todos os problemas e inconvenientes que tanto seu Governo como os palestinos tiveram que superar para chegar ao dia de hoje, e agradeceu aos observadores internacionais pela ajuda à Autoridade Nacional Palestina. Paralelamente, reafirmou à comunidade internacional seu desejo de retornar à mesa das negociações com Israel. "Queremos voltar a negociar com Israel um processo de paz para pôr em prática os acordos de Sharm el-Sheikh a fim de chegar a um estatuto final", afirmou Abbas.

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