Segurança é intensificada em Argel após ataque que matou 33

A segurança foi intensificada nesta quinta-feira, 12, em Argel, depois dos dois ataques suicidas da última quarta-feira, que deixaram 33 mortos, segundo estimativas de autoridades locais. Policiais patrulhavam ruas e avenidas ao mesmo tempo em que estabeleciam postos de checagem na capital da Argélia.Mais de 230 pessoas foram feridas no ataque e 57 continuam internadas, disse nesta quinta o ministro de Interior da Argélia, Yazid Zerhouni, citado pela agência estatal de notícias APS.Os ataques sincronizados ocorreram no fim da manhã. A primeira bomba explodiu quando um dos terroristas, dirigindo um carro-bomba, atravessou o portão do prédio que abriga o Ministério do Interior e o gabinete do premier.A explosão demoliu a fachada colonial do edifício, abriu buracos na parede do gabinete do primeiro-ministro e incendiou os carros estacionados a uma distância de 30 metros. A força do impacto quebrou vidraças em um raio de um quilômetro do local.A segunda explosão - possivelmente orquestrada por dois suicidas - destruiu uma delegacia de polícia no bairro de Bab Ezzouar, subúrbio de Argel.?Foi um crime covarde?, declarou o premier Abdelaziz Belkhadem, um dos alvos das explosões. Logo após os atentados, a filial da rede de TV Al Jazeera, em Rabat, no Marrocos, recebeu um telefonema do porta-voz do grupo Al-Qaeda do Magreb Islâmico, que reivindicou a autoria das explosõesO grupo, originalmente chamado de Grupo Salafista para a Pregação e o Combate (GSPC), é a última herança da Frente Islâmica de Salvação (FIS), partido islâmico que lutou contra o governo na guerra civil iniciada em 1991 e que deixou cerca de 150 mil mortos.A FIS foi extinta em 2000, mas seu braço militar, o Grupo Islâmico Armado (GIA), continuou sua campanha de assassinatos. O GSPC é uma dissidência do GIA fundada em 1998. No ano passado, o grupo mudou de nome e tornou-se Al-Qaeda do Magreb Islâmico.Carro-bombaHoras depois das explosões, a Polícia argelina localizou um veículo carregado com 500 quilos de dinamite em frente à residência do diretor-geral da segurança, Ali Tunsi, em Argel, informou nesta quinta uma fonte policial. Os terroristas colocaram uma cisterna usada para armazenar água carregado com os explosivos, ligados a quatro bujões de gás butano.Após localizarem o carro, os oficiais desativaram as bombas, segundo detalhes revelados pelo jornal argelino Echuruk.O carro foi descoberto graças a um dos vários alertas de bomba, em sua maioria, falsos, recebidos pela Polícia argelina nas últimas 24 horas.EmbaixadasAs advertências das embaixadas dos Estados Unidos, Grã-Bretanha, Alemanha e França, que aconselharam um aumento extremo da cautela a seus funcionários, se unem ao clima de temor.As missões diplomáticas foram as primeiras a limitar os deslocamentos de seu pessoal neste fim de semana muçulmano - na quinta e sexta-feira - na Argélia, como medida de prudência.Em várias notas, estas aconselham seus diplomatas a evitarem viagens pelo país, a não ser em casos extremamente necessários e, para tal, a utilizarem os vôos internos da companhia civil argelina. No entanto, as missões ressaltaram que não se deve cair no desespero.Repercussões vizinhasAté recentemente, os acordos de paz na Argélia surtiram um efeito positivo na segurança do país. Contudo, nos últimos meses, países como Tunísia e Marrocos, vizinhos da Argélia, afirmaram perceber um leve aumento do terrorismo.Cortes de Túnis acusaram ao menos 12 pessoas ligadas às redes terroristas argelina. Em janeiro, pelo menos 14 extremistas islâmicos foram mortos en confrontos contra a polícia.No dia anterior ao atentado de Argel, três terroristas se suicidaram e outro foi morto pela Polícia num ataque em Casablanca, no Marrocos.

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