Segurança é prioridade de enviado de Obama no Paquistão

Os pressionados líderes civis do Paquistão buscaram na terça-feira tranquilizar o novo enviado diplomático dos EUA quanto a uma série de questões vinculadas ao crescimento da militância islâmica. As prioridades de Richard Holbrooke são virar o jogo contra a insurgência da milícia Taliban no Afeganistão, esmagar a Al Qaeda e garantir que nem o Paquistão nem o Afeganistão sejam usados como base para a "jihad" global dos seguidores de Osama bin Laden. Holbrooke, conhecido por ter mediado o acordo que pôs fim à guerra da Bósnia, mais de 15 anos atrás, é relativamente novato nas questões do sul da Ásia. Na terça-feira, ele encontrou o chanceler paquistanês, xá Mehmood Qureshi, e mais tarde seria recebido pelo primeiro-ministro Yousaf Raza Gilani. Antes de partir, na quinta-feira, deve se reunir também com o presidente Asif Ali Zardari e com o comandante do Exército, general Ashfaq Kayani, entre outros. Conhecido por seu estilo "trator", o veterano diplomata deve apresentar claramente os interesses dos EUA, mas também ouvirá atentamente os diferentes pontos de vista que circulam entre Islamabad e Cabul e, posteriormente, a Índia. "Estou aqui para ouvir e aprender as realidades do terreno neste país criticamente importante", disse Holbrooke ao desembarcar, na noite de segunda-feira. Os EUA querem dar prioridade às questões de segurança, e precisam do apoio paquistanês para a ampliação do seu contingente no Afeganistão. Paquistão, Afeganistão e Índia, porém, têm suas próprias preocupações. As tensões provocadas pelo atentado islâmico de novembro em Mumbai (Índia), que deixou 179 mortos, salientaram a crônica desconfiança entre as duas potências nucleares vizinhas, que já travaram três guerras desde meados do século 20. Além disso, o Paquistão deixou claro aos EUA que eventuais confrontos com a Índia obrigarão Islamabad a rebaixar o combate ao terrorismo na sua lista de prioridades. O Paquistão acredita que os 11 bilhões de dólares recebidos dos EUA para participar da guerra ao terrorismo são um preço muito baixo em comparação com a insegurança resultante. Os militantes não só desestabilizaram toda a Província da Fronteira Noroeste, impondo pesadas baixas ao Exército paquistanês, como também deram à Índia mais influência no Afeganistão. O Paquistão tem múltiplos medos, sendo talvez o maior de todos o de se desintegrar, pouco mais de 60 anos depois de sua criação, devido a uma conjunção entre a insurgência islâmica, o movimento separatista do Baluchistão (oeste), incentivado por vizinhos hostis, e a crise econômica.

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