Herwig Prammer/Reuters
Herwig Prammer/Reuters

Segurança nuclear tem de ser melhorada, diz diretor-geral da AIEA

Para Yukiya Amano 'os melhores padrões de segurança são inúteis' se não foram implementados

AE, Agência Estado

20 de junho de 2011 | 19h09

VIENA - O diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Yukiya Amano, pediu nesta segunda-feira, 20, uma revisão de segurança global para que sejam evitados novos desastres nucleares.

 

Ele reconheceu, contudo, que tendo em vista a carência de autoridade da AIEA para obrigar o cumprimento de medidas, quaisquer melhorias só serão eficazes se os países decidirem aplicá-las.

 

Amano também foi alvo de críticas de Fereidoun Abbasi, diretor do programa nuclear iraniano, que pediu que a agência se concentre em assuntos de segurança nuclear e pare de dar atenção a "questões marginais e sem fundamento", já que a AIEA tem estudado a fundo as denúncias de que o Irã busca a construção de armas nucleares.

 

'Padrões inúteis'

 

As declarações de Amano durante uma reunião de ministros de governo e outros delegados dos 151 membros da AIEA refletem o fato de que a maioria dos países querem que novas medidas de segurança sejam voluntárias e que seu trabalho seja observado apenas por países que têm reatores nucleares.

 

"Até mesmo os melhores padrões de segurança são inúteis, a menos que sejam realmente implementados", disse Amano.

 

A ministra francesa da Ecologia, Nathalie Kosciusko-Morizet, forte opositora de regulações exteriores, disse durante a reunião que "a implementação dos padrões atuais de segurança depende, obviamente, da boa vontade de cada país, já que a segurança nuclear é primordialmente uma responsabilidade nacional".

 

Mais autoridade

 

Um relatório da AIEA compilado por especialistas internacionais antes da conferência em Viena refletiu as limitações de se depender da adesão voluntária. O documento responsabilizou o Japão por não ter implementado uma série de medidas de segurança e recomendações da AIEA nos últimos anos, o que levou ao desastre de Fukushima.

 

Perguntado, fora da reunião, se gostaria que a AIEA tivesse a mesma autoridade contra os países infratores que a agência já tem contra países que proliferam armas nucleares, que inclui o envio ao Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), Amano disse: "Eu não excluo essa possibilidade".

 

A declaração adotada pela conferência também mostrou que os participantes da reunião estavam dispostos a elevar as atuais práticas de segurança e medidas de emergência sem conferir à AIEA o poder de exigir o cumprimento da lei.

 

O documento pede um compromisso para "fortalecer o papel central da AIEA na promoção da cooperação internacional e na coordenação dos esforços internacionais para fortalecer a segurança nuclear global, ao fornecer expertise e aconselhamento neste campo e na promoção da cultura da segurança nuclear em todo o mundo".

 

Cinco pontos

 

Delineando um projeto de cinco pontos para fortalecer a segurança de reatores nucleares, Amano pediu o reforço dos padrões da AIEA e a certeza de que eles serão aplicados; o estabelecimento de revisões regulares de segurança em todos os reatores; o reforço dos organismos nacionais de regulação; o fortalecimento dos sistemas de resposta globais de emergência e o aumento de recursos para emergências.

 

Amano também pediu que a Escala Internacional de Acidentes Nucleares, mais conhecida como INES, que classifica incidentes nucleares numa escala de sete pontos, seja renovada.

 

O acidente de março na usina Daiichi foi elevado para sete - o nível mais alto da escala - apenas no dia 12 de abril, mais de um mês depois do terremoto de magnitude 9 e do devastador tsunami que atingiu os sistemas de resfriamento do reator de Fukushima, que deram início ao vazamento de radiação para a atmosfera.

 

Falando pelo Japão, o ministro da Economia, Banri Kaieda, afirmou que seu país "tomará medidas drásticas para assegurar o maior nível de segurança" para sua rede de reatores.

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