Seis dias de operação no Iraque e nada de armas proibidas

Após meses de denúncias e investigações para fundamentar uma guerra, ainda não apareceu nenhuma forte evidência de que o Iraque tenha armas de destruição em massa. Agora, depende da força invasora dos EUA encontrá-las... se é que elas existem. O comandante da coalizão, general Tommy Franks, admitiu que até agora não se encontrou nenhum maior indício, exceto uma fábrica química em Najaf que está sob investigação. Encontrar essas armas "poderia ser difícil", havia advertido também a porta-voz do Pentágono, Victoria Clarke. As acusações americanas e britânicas de que o Iraque ocultava armas químicas, biológicas ou nucleares foram o mais freqüente motivo alegado por Washington para atacar o Iraque. O presidente George W. Bush disse em um pronunciamento hoje que o ?Iraque será desarmado.? Mas a credibilidade de tais acusações foi solapada por revelações de falsificações e tergiversações de algumas delas, e pelo fato de que as fontes americanas de inteligência não puderam indicar aos inspetores de armas das Nações Unidas onde encontrá-las.Se as unidades americanas informarem rapidamente que encontraram programas clandestinos de armas, os críticos poderãoquestionar a autenticidade das versões ou insinuar que ainformação sobre sua presença não foi informada aos inspetoresda ONU e, neste caso, se perguntará por quê. Se se encontrarem poucas dessas armas, a mesma premissa para a guerra será colocada em dúvida."Provavelmente recebemos várias informações, nos três ou quatro últimos dias, sobre possíveis instalações de armas de destruição em massa", disse Franks esta semana. As tropas britânicas encontraram o que foi qualificado como possíveis projéteis Scud e ogivas em uma planta química emCaminiyah, ao sul de Basra, segundo informações da imprensabritânica.O ceticismo sobre as afirmações americano-britânicas ficou claro na semana passada com a renúncia do líder da Câmara dos Comuns, Robin Cook, do gabinete britânico, em protestocontra o apoio do governo de Londres aos planos bélicos deWashington. "O Iraque provavelmente não tem armas de destruição em massa, segundo o que se entende comumente por esse termo, ou seja, um artefato capaz de ser lançado contra um alvo urbano estratégico", afirmou Cook, que tinha acesso a informações britânicas de alto nível. Enquanto isso, no Congresso americano a revelação de que uma nova denúncia dos EUA sobre o suposto programa nuclear estava baseada em um documento falsificado levou o senador Jay Rockefeller a solicitar ao FBI que investigue se existe "uma campanha maior de enganos" sobre o Iraque. Durante meses, os funcionários do governo americano insistiram em que o Iraque tem arsenais de armas proibidas. Em seu discurso pela televisão dois dias antes de lançar a invasão, Bush disse que as tropas americanas entrariam no Iraque "para eliminar as armas de destruição em massa". Um dia antes, o vice-presidente Dick Cheney disse a uma emissora de televisão que os iraquianos haviam "reconstituídoarmas nucleares"- avaliação que não foi confirmada por nenhumespecialista. O diretor da equipe de inspeções nucleares, Mohammed El Baradei, disse em 7 de março ao Conselho de Segurança da ONU que "até agora não encontramos evidências ou indícios verossímeis sobre a retomada de um programa de armas nucleares". Um informe do Departamento de Estado em dezembro afirmou que o Iraque havia tentado importar em segredo urânio de Níger -afirmação repetida por Bush em sua mensagem anual à nação. Mas, no início de março, El Baradei informou que a baseda denúncia - que, segundo se afirmava, era um documento oficialdo governo do Níger - era uma falsificação. Por sua vez, o governo britânico divulgou um relatório em 3 de fevereiro sobre "a infra-estrutura do embuste" iraquiano - documento elogiado dois dias depois pelo secretáriode Estado americano, Colin Powell. Mas pouco depois se verificou que o documento tinha sido em grande parte copiado de artigos publicados e de um artigo de um estudante, e não de fontes deinteligência. Após mais de 700 inspeções de surpresa em centenas de lugares desde novembro, as equipes da ONU levantaram uma curtalista de equipamentos proibidos encontrados no Iraque: menos de20 ogivas vazias químicas para foguetes e uma dezena de granadas de artilharia com gás mostarda, que haviam sido catalogadas pelos inspetores da ONU anos antes, mas que por algum motivo estes não haviam destruído antes de deixarem o Iraque.Agora que os inspetores tiveram de se retirar por causa da guerra, fica a cargo das forças americanas localizar as armas proibidas e convencer o mundo sobre sua existência. Mas especialistas dizem que as provas que balizariam os ataques podem ser plantadas pela inteligência americana. Veja o especial :

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