Seis dos nove governadores bolivianos rompem com Morales

Os governadores regionais de seis dos nove departamentos bolivianos que fazem parte de partidos de oposição romperam neste domingo, 19, o diálogo com o presidente do país, Evo Morales, a quem acusam de violar as leis na Assembléia Constituinte. A decisão foi anunciada em comunicado assinado a zero hora deste domingo pelos governadores regionais de Santa Cruz, La Paz, Beni, Cochabamba, Tarija e Pando, onde vivem 80% dos 9,4 milhões de bolivianos. Os outros três departamentos - Oruro, Potosí e Chuquisaca - estão sob controle do partido governista, o Movimento ao Socialismo (MAS), ou de seus aliados. Os governadores opositores rejeitam o regulamento da Assembléia imposto na sexta-feira, 17, pela maioria governista, porque define que os artigos da nova Carta Magna serão aprovados por maioria absoluta, ao invés dos dois terços determinados pela atual Constituição e pela lei de convocação da Constituinte, também assinada por Morales em março de 2006. Por isso, anunciaram sua determinação de "romper relações com o poder Executivo nacional e não participar de nenhuma convocação que o senhor presidente da República faça, enquanto a linha governamental de violação da lei e de desestabilização institucional das autoridades escolhidas pelo voto popular não seja modificada". Morales propõe no Parlamento uma lei que lhe permitirá fazer moções de censura e destituir governadores regionais, graças à maioria do MAS no Congresso. Os governadores convocaram para a próxima quinta-feira, na cidade de Cochabamba, uma nova reunião com líderes de organizações sociais e cívicas de todo o país, "para defender a legalidade, a democracia e a unidade da pátria que está em perigo". A ruptura da lei vigente, com o desconhecimento dos dois terços necessários para tomar decisões na Assembléia, também foi rejeitada pelos partidos da oposição, que acusam Morales de dar um "golpe institucional contra a democracia" que "matará a Assembléia". Greve de fome Constituintes, deputados e militantes do centrista Unidade Nacional (UN) estão em greve de fome por causa da decisão do presidente, alguns desde quarta-feira. Segundo os governadores regionais opositores, "o país observa com preocupação a conduta do governo Nacional, que tem o selo da prepotência política, da violação das leis da república e um profundo sentido antidemocrático". Sobre a lei que Morales propõe para ter maior controle sobre os governadores regionais e inclusive destituí-los, o comunicado assinala que eles "suportam de maneira permanente o assédio político das autoridades nacionais e as tentativas permanentes de desestabilização institucional". Os governadores regionais denunciam que Morales quer pôr suas cabeças "nas mãos da maioria que controla" no Congresso ao não reconhecer que foram escolhidos democraticamente em dezembro de 2005, da mesma maneira que o presidente.

Agencia Estado,

19 Novembro 2006 | 21h46

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.