Seis ex-internos de Guantánamo vão a julgamento na França

Seis franceses capturados no Afeganistão e imediações e que ficaram presos na prisão americana de Guantánamo foram levados a julgamento nesta segunda-feira por suspeita de ligação com o terrorismo. Eles negam a acusação.Nizer Sassi, de 25 anos, denunciou a prática de maus-tratos na prisão americana durante seu depoimento. Outro suspeito, Imad Kanouni, de 29 anos, disse que em 2001 viajou para o Afeganistão apenas para ter formação religiosa. Afirmou que estava em busca do "islamismo puro", e não de terrorismo. "Mas eu estava pronto para morrer por uma boa causa, defendendo pessoas que estavam sendo atacadas dentro de seu próprio país", admitiu. Kanouni disse que jamais concordou com as idéias do terrorista Osama bin Laden e garantiu nunca ter visitado os campos de treinamento da rede Al-Qaeda.Já Khaled Ben Mustafa, de 34 anos, disse ter sido "vendido" por paquistaneses a soldados americanos em dezembro de 2001. "Não é porque você foi para o Afeganistão que você é necessariamente um terrorista", denunciou. O julgamento está previsto para durar duas semanas. Os réus podem passar até dez anos na prisão se forem condenados por "associação com o terrorismo". O tempo que eles passaram em Guantánamo - de dois a três anos - não seria descontado no cumprimento das penas na França. Dos sete franceses que estiveram presos em Guantánamo, apenas um não está sendo julgado. Trata-se de Mustaq Ali Patel, que teve suas acusações retiradas.O julgamento na França ocorre quatro dias após a Suprema Corte dos EUA acusar o presidente George W.Bush de exceder sua autoridade ao ordenar tribunais militares para os presos de Guantánamo.

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