Maya Alleruzzo/AP
Maya Alleruzzo/AP

Seis franceses são condenados à morte em três dias no Iraque

França, que diz se opor à pena de morte, reitera posição de não levar de volta para julgar seus cidadãos que se juntaram ao Estado Islâmico

Redação, O Estado de S.Paulo

28 de maio de 2019 | 16h43

BAGDÁ - Metade dos 12 franceses julgados no Iraque foram condenados à morte em três dias por se juntarem ao grupo extremista Estado Islâmico (EI), enquanto Paris afirma que tentará evitar a execução dos seus cidadãos.

Brahim Nejara, de 33 anos, acusado pela inteligência francesa de ter facilitado o envio de jihadistas à Síria, e Karam El Harchaoui, que completará 33 anos na quinta-feira, foram condenados à morte nesta terça-feira, 28, por um tribunal em Bagdá, depois de terem sido transferidos no final de janeiro da Síria, onde estavam sendo mantidos por uma aliança antijihadista curdo-árabe.

No domingo e segunda-feira, Kévin Gonot, Léonard Lopez, Salim Machou e Mustapha Merzoughi também foram condenados à morte por enforcamento. Todos esses condenados têm 30 dias para apelar.

Seis outros franceses transferidos da Síria serão julgados nos próximos dias no Iraque, onde qualquer um que se junte a uma organização "terrorista" - como combatente ou não - é punido com a morte.

Nesta terça, o chefe da diplomacia francesa, Jean-Yves Le Drian, assegurou na rádio France Inter que Paris "multiplicou suas ações para evitar a pena de morte" aos franceses.

Bagdá já condenou mais de 500 estrangeiros do EI - homens e mulheres - mas nenhum foi executado até agora.

Dois jihadistas belgas foram condenados à morte, enquanto um alemão condenado à morte teve a pena comutada à de  prisão perpétua em recurso.

Essa série de vereditos relançou o debate sobre a questão dos jihadistas estrangeiros: o retorno aos seus países de origem é rejeitado pela opinião pública na Europa, onde Estado como a França rejeitam, ao mesmo tempo, a pena de morte.

"Somos contra a pena de morte e dizemos isso claramente", declarou Le Drian. Ele, no entanto, reiterou a posição de Paris de não levar de volta para julgar seus cidadãos que se juntaram ao EI.

"Esses terroristas semearam a morte no Iraque e devem, portanto, ser julgados onde cometeram seus crimes", apontou.

Em 2018, os tribunais iraquianos emitiram 271 condenações à morte, quatro vezes mais que em 2017, segundo a organização Anistia Internacional. Mas, neste mesmo ano, apenas 52 pessoas foram enforcadas por Bagdá, enquanto em 2017 foram 125. 

Ao juiz, Brahim Nejara contou que "partiu da França para a Síria em 2014", depois que o autoproclamado "califado" do EI chamou seus partidários a lutarem. "Minha mulher, minha filha e meu cunhado vieram comigo", explicou.

Natural de Meyzieu, perto de Lyon, ele apareceu em um vídeo de propaganda do grupo terrorista após os atentados de novembro de 2015 na França (130 mortos).

Segundo o Centro de Análise do Terrorismo (CAT), com sede em Paris, ele incitou um de seus irmãos a cometer um atentado na França.

Já Karam El Harchaoui, francês de origem marroquina, disse ser "inocente". "Não entrei no Iraque e não participei de nenhum combate nem na Síria nem no Iraque", declarou, antes de explicar que viajou sozinho à Síria, onde teve duas mulheres, todas as duas belgas. 

Os julgamentos de Yassine Sakkam, 29 anos, e de Mohammed Berriri, 24, vão acontecer na quarta-feira. / AFP 

 

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