Seis Nobel da Paz pedem diálogo sobre Malvinas

Às vésperas do aniversário de 30 anos da Guerra das Malvinas, a pressão da Argentina para abrir o diálogo com o Reino Unido sobre a soberania do arquipélago ganhou apoio de seis prêmios Nobel da Paz: Adolfo Pérez Esquivel (Argentina), Rigoberta Menchu Tum (Guatemala), Jody Williams (Estados Unidos), Desmond Tutu (África do Sul), Shirin Ebadi (Irã) e Mairead Corrigan Maguire (Irlanda do Norte). Eles lançaram uma campanha internacional para recolher assinaturas a uma mensagem endereçada ao primeiro ministro do Reino Unido, David Cameron, na qual transmitem a preocupação em relação à disputa territorial e pedem a abertura do diálogo.

MARINA GUIMARÃES, CORRESPONDENTE, Agência Estado

27 Março 2012 | 14h26

A mensagem transcreve trecho da Resolução 2065 da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), de dezembro de 1965, na qual o organismo reconhece a existência da disputa sobre a soberania das Ilhas Malvinas, Georgias do Sul e Sandwich do Sul, e "convida os governos do Reino Unido da Grã Bretanha e Irlanda do Norte e da República Argentina a prosseguir, sem demora, as negociações recomendadas pelo Comitê Especial de Descolonização (...), a fim de encontrar uma solução pacífica ao problema". A carta replica partes de várias outras decisões da ONU no mesmo sentido, algumas delas, ressaltando "os contínuos esforços realizados pelo governo argentino" para cumprir as determinações.

"Queremos recordar que na atualidade, a região latino-americana e o Caribe constituem um território de paz e de prosperidade, enquanto que no resto do mundo, muitas regiões padecem conflitos bélicos que colocam em sério risco a paz mundial", disse a carta.

Os prêmios Nobel da Paz fizeram uma grave advertência: "o não cumprimento por parte do Reino Unido das resoluções da ONU, a falta de vontade para dialogar com um país democrático (Argentina) e com vocação de paz plenamente demonstrada, e a instalação e manutenção de uma base militar neste continente (nas Ilhas Malvinas), seu constante reforço e a realização de manobras militares aeronavais, colocam em sério risco a paz e a convivência nesta parte do mundo".

Por isso, concluiu a carta, "solicitamos que o governo britânico reveja sua posição de não dialogar este tema e reiteramos nosso pedido de cumprimento das Resoluções das Nações Unidas para dialogar com a República Argentina". A campanha liderada pelos seis prêmios Nobel da Paz foi anunciada hoje pelo argentino Adolfo Pérez Esquivel, em entrevista coletiva à imprensa estrangeira e através de seu site www.adolfoperezesquivel.org. As adesões podem ser feitas pelos endereços de email: granosdesalpormalvinas@gmail.com e grainofsaltformalvinas@gmail.com.

Mais conteúdo sobre:
Argentina Malvinas Nobel diálogo

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.