Seis opositores dividem palanque anti-Chávez

Pré-candidatos à presidência da Venezuela disputarão primárias em fevereiro; apenas 3 teriam chance contra o presidente, indicam pesquisas

CARACAS, O Estado de S.Paulo

05 de novembro de 2011 | 03h06

Seis políticos venezuelanos formalizaram suas candidaturas para as eleições primárias previstas para ocorrer em 12 fevereiro. Nessa data, a Mesa da Unidade Democrática (MUD), movimento que reúne a oposição ao presidente Hugo Chávez, deverá escolher um candidato único para concorrer com o líder na eleição presidencial marcada para outubro.

Mas, de acordo com as pesquisas mais recentes, apenas três desses pré-candidatos à presidência teriam chance contra Chávez: o ex-prefeito do distrito caraquenho de Chacao Leopoldo López e os governadores de Miranda, Henrique Capriles, e de Zulia, Pablo Pérez.

A deputada independente María Corina Machado - que aparece logo depois do trio na preferência dos eleitores -, o ex-embaixador venezuelano na ONU Diego Arria e o ex-sindicalista Pablo Medina também disputarão as primárias.

Os três candidatos mais populares da oposição têm entre 39 e 42 anos e proclamam-se expoentes de uma nova forma de fazer política na Venezuela. A maioria dos institutos de pesquisa indica que apenas López, Capriles ou Pérez têm chances reais de atrair os eleitores da oposição e de uma fração dos indecisos - o que será crucial para a definição da votação de outubro.

"Como o previsto, essa eleição (as primárias) tende a se polarizar entre dois ou três candidatos", comentou no microblog Twitter o analista político Luis Vicente Leon, do instituto de pesquisas Datanálisis.

López teve a candidatura bloqueada no mês passado pela Suprema Corte. A decisão ignorou um veredicto da Corte Interamericana de Direitos Humanos, que havia considerado ilegítima a suspensão de seus direitos políticos até 2014 - revogando uma condenação por irregularidades administrativas que o impediu de concorrer. Segundo a Justiça venezuelana, se López ganhar de Chávez não poderá assumir a presidência.

Na opinião de Oscar Schemel, do instituto de pesquisa Hinterlaces, a experiência dos candidatos contará muito nas eleições. Capriles e Pérez são governadores em exercício e López, ex-prefeito de um rico distrito.

Capriles - que tem aparecido em primeiro lugar nas pesquisas para as primárias - não hesita em sujar-se de lama para ajudar vítimas de inundações e garante que será o novo presidente da Venezuela. "Sou filho do dono do país e o dono é Deus", afirmou após inscrever-se nas primárias.

Pablo Pérez, mais experiente e com um apoio popular crescente, busca votos nas classes mais baixas, enquanto tenta alianças estratégicas com os grandes partidos de oposição. "A Venezuela precisa de um presidente que escute, não que fale. Que não prometa, mas execute", disse, antes de inscrever sua candidatura. / REUTERS e EFE

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