Seis palestinos mortos em espiral de violência

Seis palestinos foram mortos hoje em misteriosas explosões, enquanto o primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, insistia que deve haver um prolongado período de calma antes que seja possível retomar qualquer conversação de paz com os palestinos. Uma das explosões ocorreu dentro de um prédio na Cidade de Gaza, matando dois palestinos e ferindo outros cinco. Um vizinho disse que o prédio pertencia a ativistas do grupo Hamas. A Rádio de Israel divulgou que no local funcionava aparentemente uma fábrica de bombas. O Hamas tem reivindicado responsabilidade por uma série de recentes ataques a bomba em Israel. Na cidade de Ramallah, na Cisjordânia, uma forte explosão na noite desta segunda-feira destruiu um prédio de apartamentosde dois andares na frente de instalações do governo Ada Autoridade Nacional Palestina (ANP), do líder Yasser Arafat. Pelo menos duas pessoas morreram - um homem de ceerca de 40 anos e um menino de 8 anos. Uma mulher de 23 anos e uma menina de cinco ficaram feridas e sua situação era instável, segundo um funcionário do hospital local. Não foi divulgada nenhuma informação imediata sobre a cusa da explosão. Várias pessoas ficaram presas em meio aos destroços do edifício.Mesmo com os confrontos israelense-palestinos se arrastando por sete meses, nenhum lado se mostrava otimista em relação à última iniciativa de paz, que pede por um cessar-fogo a ser respeitado por pelo menos um mês, a ser seguido pela retomada das negociações de paz. Sharon quer que haja calma por pelo menos dois meses antes da volta das conversações. O ministro do Exterior israelense, Shimon Peres, viajou hoje para os Estados Unidos para conversar com o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, e com líderes americanos, mas nenhum grande avanço parecia iminente. No domingo, Peres reuniu-se com líderes do Egito e da Jordânia. Entrevistado pela televisão israelense em Nova York, Peres afirmou que existe um entendimento com os palestinos sobre um cessar-fogo, mas "ainda não há um acordo". Falando por satélite a líderes judaicos americanos em Washington, Sharon disse que enviou Peres ao Egito, Jordânia e aos Estados Unidos para "começar a tentar criar bases para futuras negociações". Em renovada violência, uma bomba explodiu no interior de um assentamento judeu na Faixa de Gaza, matando um trabalhador palestino e ferindo outro, segundo o Exército de Israel. O ataque a bomba em Gaza aparentemente visava um judeu e sua filha, que estavam num carro numa estufa no assentamento de Rafiah Yam no sul da Faixa de Gaza, disse Yehoshua Mor-Yosef, um porta-voz dos colonos. Mas a explosão acabou matando um palestino e ferindo um segundo, afirmaram os militares. Os dois homens trabalhavam com outros palestinos na estufa, segundo o Exército. No sul da Faixa de Gaza, os palestinos atiraram dois morteiros no assentamento judaico de Gadid, dede a cidade palestina de Khan Younis, informou um porta-voz do Exército isralense. Tanques de Israel responderam com bombardeios - que, segundo um porta-voz da polícia da ANP, provocaram ferimentos leves em cinco palestinos. Também hoje, um palestino procurado por Israel foi morto a tiros durante a madrugada por tropas israelenses que tentavam capturá-lo nas proximidades da cidade cisjordaniana de Qalqilya, divulgou a Rádio de Israel. O palestino, Adnan Odeh, foi baleado enquanto tentava fugir dos soldados, acrescentou. Odeh havia sido no passado um colaborador das forças de segurança israelenses, mas tinha passado a trabalhar com militantes palestinos para promover ataques em Israel, de acordo com membros do movimento palestino Fatah. O Exército israelense não quis comentar a notícia. Em Jerusalém, a polícia localizou uma bomba numa calçada próxima à Cidade Velha. Sapadores foram encarrregados de desativar o artefato depois que a polícia desocupou a área. Desde o início dos confrontos em setembro último, 426 pessoas já foram mortas no lado palestino e 71 no lado israelense. Cerca de 500 palestinos de várias facções, alguns carregando fuzis e granadas, promoveram uma manifestação em Rafah, Faixa de Gaza, e disseram que não suspenderão sua luta até que Israel tenha sido expulso dos territórios palestinos. "Vamos continuar com nossas atividades até que tenhamos chutado os agressores", afirmou um homem armado, apelidado de Abu Abeer. Enquanto isso, Sharon dizia que qualquer cessar-fogo exigirá um "período de teste" antes que leve a uma retomada das conversações de paz. Uma proposta egípcio-jordaniana pede por um cessar-fogo de um mês. Entretanto, Israel quer um período de dois ou três meses antes do reinício do diálogo. A proposta de paz pede também que Israel alivie restrições impostas aos palestinos, recue suas forças da fronteira com os territórios controlados pelos palestinos, tranfira impostos arrecadados para a Autoridade Nacional Palestina e congele a construção de assentamentos judeus. Israel anunciou hoje que estava aliviando um bloqueio ao redor das cidades palestinas de Qalqilya e Belém, na Cisjordânia. Os moradores terão liberdade de viajar para outras partes da Cisjordânia, mas não para Israel.

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