REUTERS/Andrea Comas
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Seis votos separam Espanha da 3ª eleição em 9 meses

Rajoy tenta hoje mais um esforço para formar seu gabinete, mas coalizão com Ciudadanos ainda é insuficiente para formar governo 

Andrei Netto CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S. Paulo

30 Agosto 2016 | 05h00

O primeiro-ministro interino da Espanha, Mariano Rajoy, tentará mais uma vez hoje concluir a formação de um gabinete que lhe garanta a maioria no Parlamento – e, por consequência, a permanência no cargo. No domingo, o Partido Popular (PP, direita) firmou um acordo com o Ciudadanos (de centro direita), que juntos reúnem 170 assentos no Legislativo. 

O premiê, no entanto, ainda precisa obter mais seis votos a favor sua posse, ou 13 abstenções, ou não poderá reassumir o poder. O acordo entre Rajoy e o líder do Ciudadanos, Albert Rivera, foi desenhado há duas semanas, quando o partido liberal de centro direita estipulou seis condições para um pacto com o PP, incluindo uma reforma eleitoral e a adoção de uma série de medidas de combate à corrupção. A proposta foi a seguir avaliada e aprovada pelo comitê executivo do Partido Popular. 

Os dois partidos, então, se empenharam nos últimos dias para definir os detalhes da aliança no Parlamento, na qual pretende unir a bancada de 137 deputados do PP aos 32 do Ciudadanos. Um deputado já anunciou apoio à coalizão, que agora soma 170 votos. Mas são necessários 176 para o aval à formação de um governo, uma maioria até agora não obtida por Rajoy, que enfrenta grande rejeição em razão das denúncias de corrupção que envolvem sua legenda.

Barreiras. A situação se complicou ontem porque Pedro Sánchez, do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), o maior partido de oposição, reiterou que votará contra a nova posse do atual primeiro-ministro. 

“Esse não é nosso acordo, porque perpetua políticas que causaram desigualdade, pobreza, precariedade e, além disso, não resolve a exigência de regeneração democrática que a Espanha necessita”, justificou Sánchez, referindo-se à aliança PP-Ciudadanos.

À noite, Rajoy voltou a se pronunciar, admitindo que a situação de sua recondução ao posto de primeiro-ministro é difícil. Sem alternativa para conquistar seis novos votos, a tendência nas últimas horas era de que o conservador não consiga resolver o impasse político na primeira votação, marcada para hoje. 

Caso a tentativa do premiê não tenha sucesso, uma segunda votação pode ser realizada amanhã. “Seguirei tentando com o PSOE depois da primeira e depois da segunda votação, caso seja necessário”, confirmou ontem Rajoy. Em caso de fracasso da aliança PP-Ciudadanos, o quadro político na Espanha voltará a ficar totalmente indefinido.

Uma das possibilidades é a convocação de nova eleição – a terceira em um ano –, que seriam realizadas em 25 de dezembro. Outra possibilidade, no entanto, é de que Sánchez volte a reivindicar ao rei da Espanha, Felipe VI, o direito de tentar formar um governo.

Com uma bancada de 85 deputados, o socialista abriu ontem a possibilidade de voltar a discutir com o líder do partido de esquerda radical Podemos, Pablo Iglesias. Na hipótese – já tentada e fracassada – de um acordo PSOE-Podemos, a aliança teria 156 deputados, 20 a menos do que o necessário para assumir o poder. 

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