Seita muçulmana mantinha crianças em catacumba na Rússia

Polícia encontra 27 menores, alguns dos quais nunca tinham visto a luz do dia, vivendo em celas debaixo da terra

MOSCOU, O Estado de S.Paulo

09 de agosto de 2012 | 07h43

Quatro integrantes de uma seita islâmica que atua na região russa do Tartaristão foram acusados ontem de praticar crueldade contra crianças que participam do culto e acusados de mantê-las em uma espécie de catacumba.

O líder da organização religiosa, Faizrakhman Sattarov, se autoproclama um profeta muçulmano desde os anos 60, quando interpretou as faíscas lançadas por um cabo de trólebus como "luz divina". A polícia encontrou 27 crianças e 38 adultos vivendo em dependências escavadas sob sua casa de três andares, que estava caindo aos pedaços.

A residência havia sido construída ilegalmente e será demolida. Policiais responsáveis pela operação descobriram que o complexo possuía grande risco de incêndio, além de má ventilação e falta de saneamento.

De acordo com a imprensa russa, algumas crianças da seita nunca haviam visto a luz do sol. Algumas delas já estão sendo tratadas em abrigos e outras em hospitais, de acordo com o jornal estatal Rossiyskaya Gazeta.

Sattarov, de 83 anos, foi acusado pelo crime de "arbitrariedade", quando, segundo a lei russa, alguém "promove uma ação contrária à apresentada na lei ou a qualquer outro ato normativo legal". Nenhum dos integrantes da seita quis comentar as acusações.

A comunidade foi descoberta em um subúrbio da cidade de Kazan, capital da região do Tartaristão, durante uma investigação sobre os recentes ataques a clérigos muçulmanos na região majoritariamente islâmica às margens do Rio Volga.

De acordo com autoridades russas, a seita, batizada de "faizrakhmanistas", em homenagem a seu fundador, não reconhece as leis do Estado russo ou a autoridade dos líderes muçulmanos do Tartaristão. / AP

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.