Sem a missão da ONU nas ruas, violência retorna à Síria

Pelo menos 28 teriam morrido, segundo governo e oposição síria; Conselho de Segurança prepara nova resolução

DAMASCO, O Estado de S.Paulo

21 de abril de 2012 | 03h02

A violência voltou ontem às ruas da Síria após a tradicional oração de sexta-feira, momento de reunião nas mesquitas que tem sido usado para protestar contra o ditador Bashar Assad. A imprensa estatal de Damasco noticiou a morte de 17 soldados leais a Assad e grupos de oposição afirmaram que pelo menos 11 manifestantes foram assassinados.

Vídeos postados no YouTube mostram disparos de bombas de gás lacrimogêneo contra multidões que saíam das mesquitas entoando palavras de ordem contra o ditador. Munição letal também estaria sendo usada. O grupo de sete observadores da ONU que está na Síria desde o domingo não foi às ruas ontem.

Em Nova York, membros do Conselho de Segurança preparavam-se para aprovar a ampliação da missão da ONU. Cerca de 30 observadores chegarão nas próximas semanas à Síria. Em alguns dias, existe a possibilidade de expandir esse contingente para pelo menos 300 monitores internacionais.

Duas propostas estão sendo discutidas pelas grandes potências. A primeira, elaborada pelo bloco europeu, condiciona o envio dos 300 observadores para a manutenção do cessar-fogo por parte do governo Assad. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, informaria o Conselho de Segurança se Damasco retirou suas tropas das cidades e está respeitando os termos da trégua. Só então os novos observadores desembarcariam na Síria. O texto prevê ainda que, caso Assad não cumpra sua palavra, Damasco será alvo de sanções não militares.

A segunda proposta, da Rússia, não impõe precondições ao envio dos 300 monitores internacionais. O texto apenas reafirma a importância do plano elaborado pelo enviado da ONU e da Liga Árabe, Kofi Annan, mas não prevê sanções efetivas se Assad retomar os ataques contra a oposição. Principal aliado de Damasco, o Kremlin recusa-se a apoiar qualquer texto que mencione possíveis medidas contra o regime sírio. / REUTERS

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