Sem acordo, continua o impasse entre grupos de mineiros na Bolívia

As autoridades enviadas a Huanuni, ondedois setores de mineiros que disputam uma jazida de estanho seenfrentaram nesta quinta-feira, não conseguiram consolidar o acordopara o fim das hostilidades assinado na noite de ontem, e continuamas detonações de dinamite, informou nesta sexta-feira o defensor público daBolívia, Waldo Albarracín. "Não há consenso, há posições muito divergentes[...] e adinamite continua sendo detonada", disse Albarracín ao amanhecerdesta sexta-feira em contato feito a partir de Huanuni com aimprensa de La Paz. Acrescentou, entretanto, que não houve novosmortos durante a noite. As últimas informações oficiais apontam que, na quinta-feira, 11pessoas morreram e cerca de 50 ficaram feridas em Huanuni, povoadodo departamento (estado) de Oruro, localizado na Cordilheira dosAndes, 288 quilômetros ao sudoeste de La Paz. No entanto, algunsmeios de comunicação bolivianos falam em até 14 mortos e cemferidos. "Pedimos a compreensão da população, mas é muito difícil. Tomaraque as duas partes possam se acalmar", acrescentou o defensorpúblico, que viajou à área do conflito com o presidente daAssembléia Permanente de Direitos Humanos da Bolívia, GuillermoVilela. Canais de televisão de La Paz denunciaram que unidades doExército participaram do confronto e dispararam armas de fogo,apesar de o governo ter anunciado na quinta-feira que tinha ordenadoa retirada das unidades policiais e militares da região. Santos Ramírez, dirigente de um dos setores em confronto pelamaior mina de estanho da Bolívia, os cooperativistas, denunciou nesta sexta-feiraa meios de comunicação locais que os seis mortos do grupo apresentamsinais de tiros. O outro setor é integrado pelos operários assalariados esindicalizados da empresa estatal Corporación Minera de Bolivia(Comibol). Albarracín tinha anunciado na quinta-feira à noite um acordo entre as duaspartes, ambas partidárias do presidente Evo Morales, embora osassalariados sejam cada vez mais críticos do governo, para dar umfim aos confrontos violentos. "Garantamos que a partir deste momento Huanuni viva emtranqüilidade. Se garantirmos isso, de que não vai haver nem maisuma bala, nenhum morto, nenhum choque, nada de violência, (encontrarsoluções definitivas à disputa) vai a ser mais fácil", disse na quinta-feira ànoite o defensor público. Os ministros da Presidência, Juan Ramón Quintana, e do Trabalho,Alex Galvez, viajaram em helicóptero nesta quinta-feira à área deconflito para tentar pacificá-la primeiro e solucionar o conflito debase depois. O vice-presidente boliviano, Álvaro García Linera, assegurou naquinta-feira em entrevista coletiva em La Paz que os dois setores"atuaram violentamente" pela "cobiça" de controlar as ricas jazidasde estanho da região, que se transformaram em uma "maldição". García Linera negou as acusações dos líderes operários epolíticos de que o governo de Morales é culpado pela situação pornão resolver a tempo o conflito, apesar das advertências sobre aexplosão de violência. O vice-presidente assegurou que Huanuni não será militarizada,como pedem os empregados da Comibol, porque seria "jogar gasolina nofogo". O confronto começou na manhã de quinta-feira, ao fim de umaassembléia com centenas de mineiros de cooperativas da região, quedecidiram ocupar a mina à força. Como os mineiros assalariados se entrincheiraram em seuacampamento, os cooperativistas iniciaram um cerco que culminou emataques com dinamite de ambos os lados, segundo relatos deoperários, vizinhos e jornalistas. O líder da Central Operária Boliviana (COB), Pedro Montes,responsabilizou o governo pela violência e anunciou para esta sexta-feira umareunião da direção sindical nacional para adotar medidas, entre asquais não se descartou uma greve geral. Montes, mineiro assalariado, censurou tanto Morales quanto GarcíaLinera por não resolverem a tempo as divergências entre os doissetores operários. O sindicalista atacou também o ministro de Mineração, WálterVillarroel, ex-presidente da Federação Nacional de CooperativistasMineiros acusado de parcialidade e de incapacidade de resolver oconflito, pedindo sua renúncia.

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