Sem acordo em vista, CS da ONU está próximo de impasse

Prazo da missão de observadores se encerra na semana que vem e, sem nova resolução, eles terão de deixar a Síria

GUSTAVO CHACRA, CORRESPONDENTE / NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

13 de julho de 2012 | 03h04

O Conselho de Segurança pode chegar a um de seus maiores impasses na próxima semana, quando se encerra o prazo da missão de observadores da ONU na Síria. Sem uma nova resolução, eles precisarão deixar o país e qualquer saída para resolver a violência ficará em um limbo.

Não havia ontem a menor perspectiva de acordo envolvendo os cinco membros permanentes do órgão e o ambiente nos bastidores era hostil. Mesmo com as divisões ao longo dos 17 meses de levante, na primeira metade deste ano os dois lados vinham cedendo para tentar fortalecer a missão do ex-secretário geral da ONU e mediador do conflito, Kofi Annan.

A Rússia, com o apoio da China, indicava que se sente passada para trás nas negociações da resolução porque a França, a Grã-Bretanha e os EUA entraram com um texto paralelo. Para Moscou, esse seria um desrespeito, porque a proposta ocidental inclui pontos considerados inaceitáveis pelo governo de Vladimir Putin.

Americanos e europeus exigem a inclusão do artigo 41 do capítulo 7 da carta da ONU, que prevê sanções econômicas caso um país não coopere com as determinações do órgão.

Moscou afirma que o tom apenas prejudica e tem deixado claro nas reuniões a portas fechadas no conselho que o objetivo dos EUA e de seus aliados na Europa é passar para o artigo 42, que autorizaria intervenção militar, em uma repetição do que ocorreu na Líbia.

"Somos definitivamente contra. Tudo pode ser negociado, mas isso não. Está além do limite", afirmou o embaixador interino da Rússia na ONU, Alexander Pankin.

EUA e Europa argumentam que Annan pediu para ser dado um ultimato. Moscou, no entanto, tem dito que o mediador deveria se referir não apenas ao regime sírio, mas também à oposição. O governo russo pede a inclusão do Irã nas negociações. Washington, Paris e Londres rejeitam o envolvimento de Teerã, principal aliado de Bashar Assad na região.

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