Sem acordo sobre escudo antimísseis Rússia deixará Start, diz Medvedev

Segundo presidente russo, defesa antimísseis pode representar a ruptura da paridade estratégica

Efe

18 de maio de 2011 | 10h14

'Estamos dispostos a cooperar, mas confiamos em que receberemos as garantias', disse russo. Foto: Ivan Sekretarev

 

 

MOSCOU - Se a Rússia e a Otan não conseguirem chegar a um acordo sobre a defesa antimísseis, a Rússia poderia ser obrigada a abandonar o Tratado de Limitação de Armas Estratégicas (Start), advertiu nesta quarta-feira, 18, o presidente russo, Dmitri Medvedev.

 

"Se os Estados Unidos querem o desdobramento de um sistema de defesa antimísseis na Europa, a Rússia se reserva ao direito de abandonar o novo tratado Start", disse Medvedev em sua primeira grande entrevista coletiva para quase 1 mil de jornalistas russos e estrangeiros.

 

"O tratado (Start) contém uma cláusula que indica que o desenvolvimento de uma defesa antimísseis pode representar a ruptura da paridade estratégica, e o tratado poderá ser suspenso e inclusive cancelado", disse.

 

Em caso de a Rússia não conseguir um acordo com os Estados Unidos para cooperar na defesa antimísseis, "nos veremos obrigados a adotar medidas de resposta", indicou o presidente russo.

"Trata-se do desenvolvimento de um potencial de armas nucleares de ataque, o que será uma opção muito má", disse.

 

Medvedev insistiu em que neste contexto quer chamar "a atenção de todos os sócios da Otan".

"Estamos dispostos a cooperar, mas confiamos em que receberemos as garantias que os potenciais (do escudo antimísseis) não apontarão contra nós", ressaltou.

 

O presidente russo disse que quando afirmam que o futuro escudo "não está destinado à Rússia", ele "leva em conta essas asseverações", mas também não esquece que outros países não dispõem das capacidades que tem Rússia.

 

"Dizem que se trata do Irã ou de alguém mais. Mas (eles) não têm semelhantes capacidades Então é contra nós?", questionou.

 

Medvedev disse ter esperança que "Rússia receba respostas as suas perguntas" e que "as partes conseguirão elaborar um modelo de cooperação".

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