Jorge Fuentelsaz/EFE
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Sem apoio da Otan, figuras da ditadura de Kadafi podem escapar do país, diz CNT

À procura de membros do deposto regime de Kadafi, Líbia pede para aliança ficar até 2012

Andrei Netto ENVIADO ESPECIAL / TRÍPOLI,

27 Outubro 2011 | 07h48

TRÍPOLI - Ainda à procura de membros do deposto regime de Muamar Kadafi, o Conselho Nacional de Transição (CNT), órgão que garante o governo interino do país, pediu ontem aos países ocidentais que mantenham seu apoio militar até 2012. O apelo foi feito em Doha, no Catar, pelo presidente do conselho, Mustafa Abdeljalil, e leva em consideração o risco de que autoridades do antigo regime fujam do país sem acertar contas com a Justiça.

 

O pedido de Abduljalil foi feito durante a reunião de ministros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), quando a retirada das forças aéreas e navais estacionadas no Mediterrâneo foi mencionada. No início da semana, após a morte do ditador, o secretário-geral da organização, Anders Fogh Rasmussen, chegou a afirmar que a retirada aconteceria dia 31, segunda-feira - data "provisória".

 

"Esperamos que a Otan continue suas operações até o fim do ano. Precisamos de ajuda logística e técnica dos nossos vizinhos e dos países amigos", afirmou Abduljalil. Na segunda-feira, o novo premiê interino, Ali Tarhuni, também ministro de Finanças, pediu que a organização fique "pelo menos mais um mês".

 

A decisão sobre o fim da missão militar liderada por França, Grã-Bretanha e EUA, que seria tomada até ontem, foi adiada para sexta-feira. "As discussões sobre a Líbia foram adiadas para acomodar as consultas feitas com as Nações Unidas e o CNT", disse a porta-voz da Otan, Carmen Romero. Até a retirada, a aliança atlântica seguirá supervisionando as operações terrestres realizadas pelos rebeldes, intervindo se "houver ameaças a civis".

 

Ao longo dos sete meses de operações, a Otan promoveu 28 mil voos de patrulha, reconhecimento ou ataque, realizados 24 horas por dia. Na quinta-feira, dia 20, a ação dos militares estrangeiros foi decisiva para a captura de Kadafi, que fugia de sua cidade natal, Sirte, num comboio de tropas kadafistas. A pedido do comando militar do CNT de Misrata, a Otan interveio e lançou um ataque aéreo com aviões dos EUA e da França, interceptando o grupo. Obrigado a fugir, o ditador deposto foi cercado e preso, antes de ser morto em circunstâncias até agora não esclarecidas pelos rebeldes.

 

Segundo Abdeljalil, o objetivo do CNT agora é a captura de Saif al-Islam e do ex-chefe do serviço de inteligência líbio, Abdulah al-Senoussi, que escaparam do cerco dos revolucionários em Bani Walid, a 150 quilômetros a sudeste de Trípoli. Para o presidente do conselho, a Otan pode ser decisiva na captura, além de poder contribuir para evitar que outros ex-líderes do governo deposto fujam do país.

 

Nas buscas estarão também envolvidos parte das centenas de agentes enviados à Líbia pelo governo do Catar. A admissão de que tropas do país estavam atuando em solo líbio para auxiliar os rebeldes com treinamento e estratégia foi feita pela primeira vez ontem pelo chefe do Estado-Maior do Catar, general Hamad ben Ali al-Attiya. Segundo o oficial, os rebeldes líbios não dispunham de experiência militar necessária para planejar os combates e a tomada das cidades sob o controle do regime.

 

Embargo aéreo. Apesar de pedir a permanência da aliança atlântica, o Estado apurou ontem que o CNT deve solicitar nas próximas horas à ONU o fim da zona de exclusão aérea no país, que teria validade a partir de 31 de outubro. O objetivo é liberar completamente o tráfego aéreo, hoje limitado aos aeroportos de Mitiga, em Trípoli, Misrata e Benghazi. Se confirmado o fim do embargo aéreo, a reabertura do Aeroporto Internacional de Trípoli pode acontecer a partir de 2 de novembro.

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