Sem apoio de coalizão, premiê do Nepal renuncia ao cargo

Destituição de militar abre crise no país; general era acusado de não incorporar ex-rebeldes ao Exército

Agências internacionais,

04 de maio de 2009 | 07h50

 

 

KATMANDU - O premiê do Nepal, Pushpa Kamal Dahal, conhecido como Prachanda, anunciou nesta segunda-feira, 4, sua demissão em plena crise de governo após seus principais parceiros retirarem seu apoio, por causa da decisão de destituir o chefe do Exército. "Deixei o meu cargo de primeiro-ministro hoje para proteger a democracia e a paz", afirmou em mensagem o ex-guerrilheiro que desde agosto de 2008 comandava o governo de coalizão.

 

Prachanda destituiu no domingo o comandante do Exército, Roodmangud Katawal, em meio a uma disputa que envolve o ingresso de ex-combatentes rebeldes nas Forças Armadas. A demissão desencadeou protestos em massa e levou à saída da coalizão de governo de um partido político chave, desgastando ainda mais as já frágeis relações entre o governo, dominado por antigos rebeldes maoistas, e o Exército. Como resultado, os líderes do Nepal, com pouca experiência política, devem enfrentar um desafio ainda maior para conter os protestos no pobre país do Himalaia.

 

A incorporação dos ex-rebeldes no Exército é parte de um acordo mediado pelas Nações Unidas que pôs fim à guerra civil no país, que se arrastava por uma década. Desde que abandonaram sua rebelião sangrenta, em 2006, e entraram no mundo político, os maoistas mantiveram seus combatentes confinados em campos monitorados pela ONU. O primeiro-ministro Pushpa Kamal Dahal queria acelerar a incorporação e enfrentava a resistência de Katawal.

 

Segundo o governo, Katawal também ignorou ordens de parar com o recrutamento regular de soldados e permitiu que oito generais continuassem trabalhando mesmo depois de concluídos seus anos de serviço. "O comandante do Exército foi destituído porque não conseguiu explicar satisfatoriamente a razão de ter ignorado as ordens do governo", disse o ministro da Informação, Krishna Bahadur Mahara.

 

Não está claro se Dahal tem poder legal para afastar o comandante militar. A Constituição do Nepal está sendo reescrita e o Exército, formalmente, está sob as ordens do presidente nepalês, Ram Baran Yadav, e não do primeiro-ministro. O presidente é um membro do Congresso Nepalês, principal partido de oposição, que prometeu contestar a decisão. Yadav ordenou nesta segunda que o comandante do Exército permaneça no cargo.

 

O Partido Comunista do Nepal, segunda maior agremiação dentro do governo, retirou-se da coalizão, "para protestar contra a decisão unilateral do primeiro-ministro", declarou o secretário-geral do partido, Ishwar Pokhrel. No domingo, líderes dos vários partidos menores abandonaram a reunião do gabinete, quando Dahal anunciou sua decisão. Eles analisam a retirada total do apoio ao governo - o que o colocaria à beira do colapso. "Ficou praticamente impossível a permanência dos maoistas no governo na atual situação", disse Ameet Dhakal, editor do República, principal jornal de Katmandu. "É uma enorme crise para o país."

 

Milhares de manifestantes foram às ruas em Katmandu, em protestos de apoio e repúdio ao governo. Para os partidários de Dahal, que agitavam bandeiras vermelhas, a saída do general foi "uma vitória para o governo do povo". A oposição, por outro lado, bloqueou o tráfego e queimou pneus em sinal de protesto. A polícia e as forças de segurança foram postas em alerta total para impedir qualquer ato de violência.

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