Sem apoio dos EUA, ONU renova mandato de força de paz em Darfur

O Conselho de Segurança daOrganização das Nações Unidas (ONU) renovou o mandato dasforças de paz presentes em Darfur, no Sudão, aprovando umaresolução criticada pelos EUA porque levanta dúvidas sobre osesforços para indiciar o presidente sudanês por genocídio. A maior parte das potências ocidentais concordou com o teorda resolução, a qual deixa clara a disposição do Conselho deSegurança de, em nome da paz em Darfur, negociar apossibilidade de congelar o indiciamento no Tribunal PenalInternacional do presidente Omar Hassan al-Bashir. Dos 15 membros do Conselho, 14 votaram a favor do projeto,na quinta-feira. O governo norte-americano rejeitou a parte doacordo que trata do tribunal e absteve-se de votar. Cinco anos de guerra provocaram em Darfur uma situaçãodesastrosa do ponto de vista humanitário, e ativistas acusam acomunidade internacional de não fornecer helicópteros e outrosequipamentos de que precisam as forças de paz para realizar suamissão ali. Os EUA deram apoio ao ponto básico da resolução, prorrogaro mandato da missão até julho de 2009, mas criticaram oparágrafo do texto, elaborado pela Grã-Bretanha, que trata doindiciamento. O parágrafo constou do projeto a fim de respondera protestos dos africanos contra o Tribunal PenalInternacional. "Os EUA abstiveram-se da votação porque o trechoacrescentado à resolução enviaria um sinal errôneo para opresidente sudanês, Bashir, e minaria os esforços paracolocá-lo e para colocar outros diante da Justiça", afirmouAlejandro Wolff, vice-embaixador norte-americano, que sereferiu várias vezes ao "genocídio" de Darfur. A delegação norte-americana não vetou a resolução, o queteria provocado um vácuo jurídico a respeito da missão de paz. Mas os países-membros do Conselho desejavam realizar umavotação unânime a fim de dar mostras de um apoio total àsforças de paz enviadas para a linha de fogo em Darfur. O grupo Human Rights Watch elogiou a abstençãonorte-americana, afirmando que se tratava de um voto contra o"cartão gratuito para sair da cadeia", supostamente oferecido aBashir. O embaixador britânico junto à ONU, John Sawers, queliderou as negociações a respeito da resolução, afirmoulamentar a falta de unanimidade. E também criticou o fato de omandato da missão ter sido relacionado com o tribunal. Wang Guangya, embaixador da China, disse que umindiciamento de Bashir "minaria seriamente" as chances de pazem Darfur e prometeu, em breve, levantar a hipótese de oprocesso judicial ser suspenso. A votação viu-se adiada várias vezes enquanto osintegrantes do Conselho tentavam convencer os norte-americanosa apoiar o projeto, e acabou ocorrendo horas antes de o mandatoda Unamid -- a força de paz formada pela ONU e pela UniãoAfricana (UA) -- expirar (à 1h da sexta-feira, horário deBrasília). Sete membros do Conselho -- África do Sul, Líbia, Rússia,China, Vietnã, Indonésia e Burkina Fasso -- haviam feito dareferência à corte internacional uma condição para renovarem omandato da missão de paz. Especialistas de vários países e autoridades da ONUcalculam que 200 mil pessoas morreram e outras 2,5 milhõesfugiram de suas casas em Darfur desde que rebeldes, em suamaioria não-árabes, pegaram em armas no começo de 2003 acusandoo governo central de negligenciar a região. O governo sudanês afirma que 10 mil pessoas foram mortas. A resolução do Conselho de Segurança pede que ospaíses-membros forneçam helicópteros e tudo mais que fornecessário para que a Unamid cumpra seu mandato. A ONU espera que 80 por cento das forças de paz tenham sidoenviadas para Darfur até o final do ano.

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