Sem apoio, palestinos admitem revés em obter reconhecimento na ONU

Debate no conselho. Comissão que deveria aconselhar potências sobre inclusão ou não da Palestina como membro pleno das Nações Unidas não consegue chegar a consenso; Ramallah garante apenas 8 dos 9 votos necessários para 'vitória moral' que desejava

GUSTAVO CHACRA, CORRESPONDENTE / NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

12 de novembro de 2011 | 03h06

Sem ter o número mínimo de votos para conquistar pelo menos uma vitória simbólica e obrigar os EUA a usar o poder de veto, a Autoridade Palestina admitiu, neste momento, que não conseguirá aprovar a resolução no Conselho de Segurança para tornar-se membro pleno da ONU. O governo de Ramallah, no entanto, prometeu não desistir da aspiração de obter o staus de Estado nas Nações Unidas.

O anúncio do emissário palestino em Nova York foi feito após o embaixador de Portugal na ONU e presidente rotativo do Conselho de Segurança, José Filipe Cabral, afirmar que a Comissão de Admissão das Nações Unidas não havia chegado a um consenso sobre a inclusão da Palestina. Cabe à comissão, integrada pelos 15 membros do conselho, recomendar ou não a adesão de novos membros.

Segundo Riyad Mansour, embaixador palestino na ONU, os próximos passos de Ramallah serão determinados "logo depois que o nosso governo e outras autoridades árabes analisarem o relatório divulgado ontem". De acordo com o regimento do conselho, a Palestina pode apresentar uma resolução para ser votada quando quiser.

"Sabemos que temos forte apoio no CS e dois terços na Assembleia-Geral. Infelizmente, segundo relatório da comissão de admissão, um poderoso país disse que, mesmo se tivermos 14 votos, usaria seu poder de veto", afirmou o diplomata, referindo-se aos Estados Unidos.

"Inicialmente, havia a expectativa de que poderíamos reverter a oposição desse país poderoso (EUA)", acrescentou o representante palestino, citando mais de uma vez o aniversário de sete anos da morte de Yasser Arafat, líder histórico da causa palestina.

"Avaliamos que, com os esforços diplomáticos e o sucesso na Unesco, poderíamos ser admitidos. Mas essa não é a realidade. Por isso, seguiremos trabalhando até que as condições sejam favoráveis para a Palestina ser admitida como membro", disse, sem especificar uma data.

Segundo o representante palestino "a porta do reconhecimento como Estado no sistema da ONU foi aberta com a aprovação na Unesco. Mas merecemos ser um membro pleno e, para isso, precisamos ter sucesso no Conselho de Segurança. Manteremos nossa candidatura até conseguir. Muitos países fracassaram em um primeiro momento, até mesmo Israel".

Bloqueio. A embaixadora americana nas Nações Unidas, Susan Rice, não quis comentar a decisão palestina, insistindo que "os EUA já expressaram sua posição uma série vezes". Para o governo americano, a Autoridade Palestina deveria retomar imediatamente as negociações de paz com base no plano do Quarteto - formado por EUA, Rússia, União Europeia e ONU -, apresentado em setembro.

Atualmente, a Palestina tem o status de "entidade observadora". Para ser membro pleno, um Estado precisa da aprovação de 9 dos 15 membros do Conselho de Segurança, sem nenhum veto, e mais dois terços da Assembleia-Geral.

No conselho, Brasil, Índia, África do Sul, Rússia, China, Líbano, Gabão e Nigéria votariam a favor da iniciativa. Já os outros sete países optariam pela abstenção. Se necessário, os EUA usariam o veto, enterrando de vez a candidatura.

Estima-se que os palestinos conseguiriam com folga a maioria qualificada na Assembleia-Geral.

Uma segunda alternativa, proposta pela França aos palestinos, é buscar o reconhecimento como Estado observador. Neste caso, basta ter maioria simples na assembleia. Segundo o embaixador palestino, "todos os países europeus disseram que nos apoiarão na Assembleia-Geral se buscarmos essa alternativa".

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