Sem Arafat, líderes tentam evitar divisão entre palestinos

Líderes palestinos reuniram-se em caráter emergencial em Ramallah para evitar a irrupção de conflitos internos num momento de incerteza sobre o futuro do governo, dado o estado grave de Yasser Arafat, internado em Paris. Do encontro tomaram parte dirigentes da Autoridade Nacional Palestina (a administração das áreas autônomas palestinas), da Organização de Libertação da Palestina (OLP, entidade que congrega os grupos nacionalistas palestinos) e da Fatah, o partido de Yasser Arafat. Um alto dirigente palestino, não identificado, disse que alguns poderes presidenciais, como o controle das finanças, foram entregues ao primeiro-ministro Ahmed Korei. O premier e o chanceler Nabil Shaath iam viajar à noite para a Faixa de Gaza, onde nos últimos meses houve vários atos de contestação à autoridade da ANP. Militantes radicais chegaram a bloquear a visita de dirigentes da ANP, seqüestrar o chefe da polícia local e funcionários humanitários estrangeiros, em protesto contra a corrupção e reformas no setor de segurança local. Mas, além das disputas na base, há fortes desentendimentos na cúpula. "A liderança palestina mantém reuniões constantes para acompanhar a saúde do presidente", disse Shaath. Ele negou que Arafat tenha transferido o poder para Korei. "Não é verdade", disse Shaath. O grupo Hamas e a Frente Popular de Libertação da Palestina (FPLP) fizeram um chamado para a formação de uma "liderança coletiva", que incluiria grupos que não fazem parte da ANP ou da OLP - caso dos islâmicos Hamas e Jihad Islâmica.Coma Yasser Arafat encontra-se em coma profundo, apesar da noticia de sua morte ter sido espalhada pelo mundo, após ter sido equivocadamente anunciada pela televisão israelense e algumas agências internacionais. Diante dos fortes rumores que circularam no final da tarde, mais de uma centena de jornalistas de todo o mundo se concentrou diante da porta principal do hospital militar de Percy, nas imediações de Paris, para registrar o comunicado médico anunciado pelo general Christian Estripeau, porta voz e responsável pelo setor de comunicações do centro médico-hospitalar. Quando todos esperam que sua morte fosse anunciada oficialmente, o porta voz do hospital de Percy surpreendeu a todos lendo um comunicado suscinto, de apenas algumas frases, justificadas por um pedido de discrição de sua mulher, Souha, encerrado com a frase : "O senhor Yasser Arafat não faleceu". O comunicado reconhece que a situação clínica do paciente Arafat tornou-se bem mais complexa nas últimas horas e que seu estado de saúde exigiu sua transferência para um serviço de terapia mais adaptado à sua patologia. Duas horas antes, o presidente Jacques Chirac havia efetuado uma visita a Arafat no hospital de Percy, tendo o governo francês confirmado que durante a visita, o presidente da Autoridade Palestina encontrava-se vivo. O Palácio do Eliseu não revelou se o dirigente palestino estava ou não consciente durante a visita.

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