Sem assistência, famílias trocam experiência em fóruns na internet

Espalhados por todo o país, muitos dos pais órfãos chineses encontraram na internet um espaço para dividir suas experiências com outros pais em situação semelhante e organizar formas de apresentar suas reivindicações ao governo.

PEQUIM, O Estado de S.Paulo

02 de setembro de 2012 | 03h04

O instrumento preferido dos shiduzhe é o QQ, um serviço de mensagem instantânea semelhante ao MSN. A mãe de Dier diz que os primeiros grupos na internet surgiram em 2009. Agora, eles existem em quase todas as províncias e dois deles têm mais de 500 participantes cada.

"No QQ, nós falamos dos nossos problemas e ajudamos uns aos outros", diz Xie Xinhua. Quando seu filho único morreu, em 2010, ela deixou uma mensagem no website do cemitério com os seus dados. Algumas semanas mais tarde, foi contatada por um dos grupos de shiduzhe na internet, ao qual se integrou.

Os pais órfãos saíram pela primeira vez do mundo virtual para o real em abril deste ano, quando 30 deles se reuniram na cidade de Wuhan, na Província de Hubei. O encontro foi acompanhado por um repórter do jornal Guangzhou Daily, que fez a primeira grande reportagem chinesa sobre o assunto e batizou o grupo de shiduzhe.

"Foi a primeira vez em que nossos problemas despertaram atenção da sociedade", lembra a mãe de Dier. "Antes disso, as reportagens eram positivas e falavam de como superávamos as dificuldades e nos engajávamos em serviços sociais."

Segundo ela, o enfoque cor de rosa contava apenas uma parte da história. "Talvez eles não quisessem dar destaque ao lado negativo, mas temos que encarar os problemas que existem." A mãe de Dier observa que a maioria dos shiduzhe evita falar em público ou dar entrevistas. "Perder seu filho único não é algo que pode ser colocado em uma mesa e discutido", diz, enquanto chora. / C.T.

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