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Sem califado, EI deve retomar raiz guerrilheira, dizem analistas

Especialistas americanos e europeus em contraterrorismo temem ação de células dormentes do grupo

O Estado de S.Paulo

18 Outubro 2017 | 20h59

WASHINGTON - A capital de facto caiu em mãos do inimigo. O território, que era do tamanho mais ou menos de Portugal, tornou-se um punhado de postos no deserto. Os líderes estão em fuga. Mas, em vez de declarar vitória sobre o Estado Islâmico (EI), especialistas ocidentais em contraterrorismo se preparam para novas ameaças do grupo jihadista. 

Desde sua ascensão, em 2014, o EI tem se mostrado um grupo insurgente capaz de perpetrar grandes massacres e, ao mesmo tempo, recrutar simpatizantes em todo o mundo prontos para matar em seu nome. Há mais de um ano, líderes do Estado Islâmico prepararam planos de contingência para retornar ao status de guerrilha que possuía quando ainda se chamava Al-Qaeda na Mesopotâmia. 

+5 Razões Para … Exaltar a queda de Raqqa

Com a perda de território na Síria e no Iraque, o EI agora se concentra em inspirar ataques de “lobos solitários” no exterior – uma estratégia que já foi vista em atentados em Manchester, no Reino Unido, e em Orlando, na Flórida. 

“O Estado Islâmico não acabou”, disse Aaron Zelin, que estuda grupos jihadistas no Washington Institute for Near East Policy. “O EI tem um plano, que consiste em esperar para lutar contra inimigos domésticos, enquanto ganha tempo para reconstruir suas redes e inspira seguidores para combater os inimigos externos.” 

Mesmo com a queda de Raqqa, a capital administrativa do califado declarado por Abu Bakr al-Baghdadi, em 2014, capturada na terça-feira por forças apoiadas pelos EUA, agentes de contraterrorismo na Europa temem que células adormecidas do EI despertem no continente e lancem ataques preparados antes de o grupo perder espaço. “É muito claro que estamos lidando com uma intensa ameaça terrorista islâmica no Reino Unido”, disse o diretor do MI5 Andrew Parker.

Um discurso do porta-voz do EI, Abu Mohamed al-Adnani, feito antes de sua morte num ataque com drones dos EUA, estimulava os seguidores do EI a lutar de maneira leve e ágil./ NYT

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