Sem comida, hospital venezuelano recorre a doações para alimentar crianças

Hospital de Crianças de Caracas não serviu alimentos no fim de semana em razão de uma infestação de baratas em sua cozinha e porque outra unidade estava 'sem vasilhas' para enviar comida

O Estado de S. Paulo

05 Julho 2016 | 11h40

CARACAS - O Hospital de Crianças J.M. de Los Ríos em Caracas, capital da Venezuela, atravessa uma situação de crise sem precedentes: além da falta de médicos e remédios, desde sábado a instituição está precisando a recorrer a doações para fornecer comida aos pacientes.

Situada no oeste de Caracas, a unidade de saúde não está recebendo alimentos porque o hospital que fornece comida ao J.M de Los Ríos está "sem vasilhas", afirmou uma funcionária do local, que não quis se identificar por temer ser demitida.

O Hospital de Crianças não está utilizando a própria cozinha há duas semanas porque ela está infestada de baratas, o que provocou seu fechamento. "Não quiseram dedetizar porque a empresa que veio fazer o orçamento cobrou muito caro", disse a funcionária.

No domingo, as crianças internadas receberam alimentos graças à doação feita pelo deputado opositor Tomas Guanipa, que foi até o local depois de receber denúncias pela internet. "Nos inteiramos pelas redes sociais que no sábado não deram comida às crianças. Então, eu decidi vir aqui no domingo com minha família para doar alimentos a título pessoal", disse Guanipa.

O parlamentar ainda afirmou que a administração do hospital tentou impedi-lo de entrar ao local. Além disso, enquanto estava na unidade de saúde, um grupo de mães abordou o deputado para contar que tinham acabado de ser assaltadas dentro do próprio edifício.

Depois da doação de Guanipa, outras pessoas e organizações foram ao Hospital de Crianças J.M de Los Ríos para realizar mais doações. "É assim que estamos nos mantendo. Há muitas crianças desnutridas aqui", disse uma funcionária.

Ela afirmou que as autoridades e a direção do hospital sabem do problema, já que um comunicado foi enviado relatando a falta de alimentos. "Mas eles não deram respostas sobre a situação", completou.

Médicos e trabalhadores de hospitais da Venezuela denunciaram em diferentes oportunidades as condições nas quais se encontram as unidades de saúde do país.

No último dia 8 de junho, médicos e familiares de pacientes de três grandes hospitais de Caracas protestaram pela falta de remédios, materiais médicos e condições de infraestrutura.

O presidente da Comissão de Saúde da Assembleia Nacional, deputado José Manuel Olivares, constatou que há obras sem conclusão, água poluída e instalações deterioradas.

Em janeiro, a Assembleia Nacional, de maioria opositora, declarou estado de "crise humanitária de saúde" e pediu que o governo do país solicitasse ajuda internacional. / EFE

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