Sem conciliação, Turquia cogita reduzir laços com Israel

A Turquia pode reduzir ao mínimo os seus laços diplomáticos com Israel se o governo israelense não tomar passos conciliadores após o ataque à frota de ajuda humanitária que se dirigia à Faixa de Gaza. Neste ataque, ocorrido em 31 de maio, nove ativistas turcos morreram. A informação partiu de um diplomata turco e também de uma reportagem publicada nesta quinta-feira no jornal turco Milliyet.

AE, Agência Estado

17 de junho de 2010 | 19h47

A Turquia espera que Israel peça desculpas pelas mortes, compense as famílias das vítimas, aceite uma investigação internacional e libere três navios turcos que faziam parte da frota humanitária. "Se esses passos não forem dados, não vai demorar muito tempo para a Turquia rebaixar sua representação diplomática para o nível de ''charge d''affaires'' (representação diplomática inferior), de acordo com as diretrizes que nós recebemos", afirmou o diplomata turco, que não foi identificado.

A Turquia também deseja que o forte bloqueio à Faixa de Gaza seja suavizado, ele disse, acrescentando que "os esforços para aliviar o bloqueio não são considerados suficientes". A Turquia chamou de volta seu embaixador em Israel imediatamente após o ataque, cancelou planos para três exercícios militares conjuntos e disse que os laços econômicos e de defesa seriam reduzidos a um "nível mínimo".

Crise diplomática

O ataque, no qual comandos da Marinha de Israel mataram a tiros nove ativistas turcos, entre eles um rapaz de 19 anos de dupla nacionalidade turca e norte-americana, levou a uma profunda crise entre a Turquia, único membro muçulmano da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e Israel. Os dois países chegaram a ser aliados próximos quando firmaram em 1996 um pacto militar que atraiu a raiva do mundo árabe e do Irã.

De acordo com o jornal turco Milliyet, Ancara irá reduzir sua representação diplomática se Israel fracassar em responder a todas as quatro exigências, mas poderá reconsiderar a medida se parte das exigências forem cumpridas. O diplomata turco disse que Ancara considera que não serão fechados novos acordos de cooperação com Israel e que os já existentes estão sendo revisados. "Nós estamos fazendo uma avaliação custo-benefício. Contudo, nosso entendimento é que poderemos desistir de certas áreas de cooperação mesmo que isso nos prejudique", disse o diplomata, sem especificar quais áreas.

A cooperação militar e na indústria da defesa tem sido a força motriz da aliança entre Israel e a Turquia. Empresas israelenses estão entre as principais fornecedoras de equipamentos para o Exército da Turquia. O governo de raízes islâmicas da Turquia está sob forte pressão para cortar os laços com Israel. "A respeito de acordo comerciais, muitos dos quais estão perto de ser completados, o mais importante é o do avião não tripulado", disse o ministro da Defesa da Turquia, Vecdi Gonul. Ele estava se referindo ao acordo de US$ 183 milhões, pelo qual a Turquia comprou 10 aviões ''drone'' (teleguiados e não tripulados) do modelo Heron de Israel. Ainda falta Israel entregar quatro desses aviões, algo que deverá fazer no final de junho ou em julho, disse Gonul.

O Exército da Turquia está preocupado que um congelamento total da cooperação militar possa ser muito prejudicial, reportou nesta quinta-feira o diário Taraf. "O exército está pedindo cautela a respeito do corte dos laços militares, uma vez que existe o risco que Israel não forneça mais as peças necessárias para os caças F-4 e F-5, bem como para os tanques M-60 que foram reformados por Israel", disse a matéria do Taraf. As informações são da Dow Jones.

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