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Sem direito à fiança, mulher de 'El Chapo' pode pegar perpétua

Emma Coronel Aispuro foi presa em aeroporto americano por acusação de tráfico internacional de drogas

Redação, O Estado de S.Paulo

23 de fevereiro de 2021 | 19h33

WASHINGTON - A juíza federal americana Robin Meriweather ordenou nesta terça-feira, 23, a prisão preventiva sem direito à fiança de Emma Coronel Aispuro, mulher do traficante de drogas mexicano Joaquín "El Chapo" Guzmán, por acusações de tráfico de drogas. Emma pode pegar uma pena que varia de 10 anos de prisão até prisão perpétua, além de ter de pagar uma multa de até US$ 10 milhões (aproximadamente R$ 54 milhões), se for condenada.

A situação foi detalhada por Meriweather, do Tribunal Distrital dos EUA para o Distrito de Columbia, durante a primeira audiência do caso.  Meriweather destacou que contra Emma pesa uma queixa criminal de "conspiração para distribuir um quilograma ou mais de heroína, cinco quilos ou mais de cocaína, 1 mil quilos ou mais de maconha e 500 gramas ou mais de metanfetamina". Além de conspirar para transportar ilegalmente as drogas para os Estados Unidos, as autoridades a acusam de ajudar e incentivar as atividades do Cartel de Sinaloa, que foi liderado por El Chapo, declarou a magistrada.

O Departamento de Justiça também a acusa de ajudar seu marido a escapar da prisão mexicana em 2015 e de participar do planejamento de uma segunda fuga antes que Guzmán fosse extraditado para os EUA em janeiro de 2017.

A mulher de "Chapo", o traficante de drogas mais poderoso do mundo antes de ser extraditado para os Estados Unidos em 2017, foi presa na segunda-feira, 22, no Aeroporto Internacional Dulles, na Virgínia. Dois anos antes, seu marido havia sido sentenciado à prisão perpétua depois de um julgamento histórico que durou três meses em Nova York. Emma e El Chapo têm duas filhas gêmeas.

O promotor de Justiça dos EUA no caso, Anthony Nardozzi, pediu durante a audiência que Emma fosse mantida sob custódia até o julgamento e sem fiança, considerando que há "um sério risco de fuga".

"A ré tem acesso a parceiros no crime que são integrantes do Cartel de Sinaloa, bem como a meios financeiros que significam que ela apresenta um sério risco de fuga. Além disso, ela não tem vínculos diretos com a área de Washington, D.C., onde está sendo mantida", salientou Nardozzi.

Os advogados de Emma não recorreram do pedido, mas se reservaram o direito de apresentar um pedido de fiança no futuro. Emma permanecerá detida até a próxima audiência, que a juíza propôs que fosse marcada para daqui a duas semanas. A defesa afirmou que poderia precisar de mais tempo para se preparar e sugeriu negociar com o Ministério Público uma data posterior.

A defesa é liderada por Jeffrey Lichtman, que foi um dos melhores advogados de "Chapo" durante seu julgamento em Nova York. Ele será assistido por Mariel Colón, que também defendeu o traficante e se tornou confidente de Emma.

A mulher "Chapo" mal falou durante a audiência, limitando-se a respostas monossilábicas às perguntas do juiz sobre sua capacidade de acompanhar o processo e conhecer seus direitos, e só confirmou no final: "Eu entendi tudo muito bem, obrigada". /AFP e EFE

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